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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

- A Dama do Véu Branco

A DAMA DO VÉU BRANCO
(Dictyophora Phalloidea Desvaux) Renate Rohkohl DIETRICH

            Quando ainda bem criança, ele já sentia imenso prazer em participar das conversas sobre caçadas, em casa de  seu avô Sametzki, onde se reuniam amigos que gostavam do esporte venatório. Os caçadores gostam de trocar impressões sobre as suas aventuras, aumentando-as às vezes exageradamente, cercando-as de incríveis fantasias. É o que se chama “latim dos caçadores”. E essas conversas eram-lhe mais deslumbrantes que as fábricas mais fantásticas.
            Foi numa dessas reuniões que ele ouviu falar, pela primeira vez, na “Dama do véu”, a misteriosa “dama do véu branco”.
A “Dama do véu branco” (DICTYOPHORA PHALLOIDEA DESVAUX) é uma das mais curiosas variedades de cogumelos, comum no solo úmido das florestas blumenauenses. Embora de observação bastante difícil, de vez que seu desabrochar se verifica ao anoitecer, completando o seu desenvolvimento durante a noite, não aparecendo, pela manhã, nada mais dele, senão uma pequena porção de restos gosmentos. Estudando-o, minuciosamente, o micólogo Alfredo Moeller durante 3 anos de permanência em Blumenau conseguiu, também, descobrir e descrever diversas espécies novas desses interessantes representantes da flora do Vale de Itajaí.
            Quando um caçador se demorava no mato e o lusco-fusco já escurecia a vastidão das selvas, ele seria, subitamente, atraído por um raro perfume que se desprendia de uma espécie de pequenina rede, em forma de véu, branco de neve, que se escapava de um chapeuzinho esverdeado. O seu aparecimento seria tão estranho e tão maravilhoso, que o caçador, embora ansioso por deixar a mata, para que a completa escuridão o não apanhasse ali, não podia desprender-se do encanto de visão tão extraordinária. E quem tivesse a sorte de ter essa visão, seria para sempre feliz.
            O menino insistia com o avô para que este também o levasse ao mato, nas suas caçadas, pois não podia dominar a ansiedade de ver e de sentir as perfumadas auras que se desprendiam da “Dama do véu branco”. Na sua imaginação infantil, ele identificava a dama do véu com a “Dama Branca”, o fantasma do castelo dos Hohenzollern e com a boa Fala da Floresta, que satisfazia os desejos de todos.
            E, com os olhos chispando felicidade, ele confidenciava à sua mãe:
“O vovô me prometeu que, quando eu for maiorzinho, ele me dará uma espingarda e  nós iremos juntos ao mato. E, então, eu hei de ver a “Dama do véu branco” e ela me trará felicidade”...
            A mãe, certamente, teria pensado que seu filho Erich precisaria mesmo que muita sorte na vida, pois ele era um menino bem inteligente, é verdade, mas também muito acanhado e taciturno.
            Erich Gaertner era o filho mais velho do casal Victor e Roese Gaertner, e, consequentemente, sobrinho-neto do Dr. Blumenau, fundador da cidade (foto).
            Com a idade, mais se acentuou o seu acanhamento, de tal sorte que preferia aos passeios pelas, então ainda bucólicas, ruas de Blumenau, as incursões, de canoa, pelos rios próximos, pelas suas margens onde mais espêssa se mostrava a floresta. Pescava e caçava, trazendo para sua mãe, que nesse entretempo enviuvara o que conseguia apanhar, ajudando, assim, o sustento da casa.
            Como tivesse herdado de seus pais o grande amor pela natureza e muito, sobre  ela, tivesse aprendido com o Dr. Blumenau, não lhe foi nenhuma decepção constatar que o amor dos seus verdes anos não era nenhuma fada maravilhosa de véu branco senão a inflorescência de uma espécie, muito rara e notável de um cogumelo com extraordinário perfume. Ele já tivera oportunidade de encontrar e admirar muitos deles. Trar-lhe-iam, porém, a felicidade?
            No ano de 1890, veio a Blumenau o naturalista, Professor Alfredo Moeller, já conhecido no mundo científico pelos seus estudos e obras sobre o reino vegetal. Ultimamente, especializara-se nas observações e estudo dos cogumelos, ou da micologia, e desejava fazer aqui investigações a respeito desse tão interessante ramo da botânica. Facilitou a sua vinda a Blumenau o fato de ser ele sobrinho do Dr. Fritz Müller, o sábio que aqui já vivia desde 1852 e que, como grande naturalista que era, poderia, inclusive, orientá-lo nos seus trabalhos e observações dos cogumelos tropicais.
            Segundo as próprias afirmações do Dr. Moeller, o clima de Blumenau é dos mais favoráveis à germinação e ao desenvolvimento dos cogumelos: “Eu encontrei, no distrito da Colônia Blumenau, nada menos de dez diferentes formas de Faloideos e, possivelmente, não existe outra região do mundo, com igual área, que possa contar com igual número de espécies da citada família”.
            E como o Dr. Moeller precisasse de um auxiliar e um guia, nas suas buscas e observações, não poderia ter encontrado melhor do que na pessoa de Erich Gaertner que conhecia, como ninguém, as florestas que cercavam Blumenau. Orientado por seu pai e pelo Dr. Blumenau, Erich possuía bons conhecimentos de botânica e tinha singular paixão pelas ciências naturais.
            O Dr. Moeller reconheceu a valiosa cooperação desse dedicado auxiliar, citando-o, muitas vezes em seus livros, como, por exemplo: “O Sr. Erich Gaertner, meu fiel ajudante nos trabalhos, percorreu, semana após semana, os arredores de Blumenau, dispensando especial atenção à descoberta da faloideos. A ele eu devo agradecer uma grande parte do material recolhido”.
            Que eram faloides? “A família da sua “Dama do véu branco”, que tem o nome cientifico de Dictyophora phalloidea Desvaux. Esse cogumelo já fôra, por diversas, descrito por botânicos, pois, segundo escrevia o próprio Dr. Moeller, “nenhum outro cogumelo atraiu tanto a atenção dos botânicos que visitaram os trópicos, como esse”. Não havia, porem, boas reproduções do mesmo e coube ao Dr. Moeller fotografá-lo, pela primeira vez, em todo o seu esplendor.
            Sobre o raizame, nos solos cobertos de folhas apodrecidas, aparece, primeiramente, uma espécie de botão, que os botânicos, prosaicamente, apelidaram de “ovo”.  O desenvolvimento da “Dama”, a partir do “ovo” até o final do ciclo vegetativo, verifica-se em apenas duas horas, conforme maravilhosa descrição que o Dr. Moeller faz no seu livro, “Cogumelos”. Vamos abreviar essa descrição:
“Às 14 horas, rompeu-se a membrana do “ovo”, aparecendo o topo do “chapéu”. O “ovo” maduro tem 2 a 2,5 cm de diâmetro e é redondo.
            Aparece, principalmente, ao empuxo inicial, uma ligeira saliência que é a parte superior do “chapéu” que, sempre com maior ligeireza, rompe a membrana que envolve o ovo, aparecendo logo à gleba esverdeada. Com o crescimento rápido, de, mais ou menos, 1 mm. Por minuto, o caule continua a surgir e, às 3h20 ele já é visível entre a aba do “chapéu” e a da volva de que se desprendeu. Sob o “chapéu”, se se olhar de baixo para cima, já se nota, ainda completamente enrolado, o rendilhado do véu.
            Às 16 horas e 15 minutos o cogumelo mede 99 mm. Dessa altura em diante, o crescimento passou para 1,5 mm. Por minuto, podendo-se observá-lo perfeitamente. Mas, o que é ainda mais maravilhoso é que não apenas se pode vê-lo, mas, também, ouví-lo crescer. Do momento em que o crescimento começa a aumentar de velocidade em diante, se o silêncio circundante for completo, pode-se ouvir, perfeitamente, esse crescimento, na forma de um ruído característico, como o da espuma se desfazendo.
            Repentinamente, às 16.20 minutos, quando alcança uma altura de 104 mm. Começa a fazer-se sentir i perfume do cogumelo.
            Às 16 horas e 37 minutos começa o véu a soltar-se e a descer em quedas intervaladas. Toda vez que, sob o “chapéu”, se abre uma ou mais das malhas todo o conjunto sofre um pequeno abalo que sacode todo o véu. Dos 8 minutos depois das 17 horas, o véu não para um só instante em desdobrar-se. As “vigas” que o sustentam, são, a princípio, rígidas. Á proporção que as malhas do véu vão se abrindo, este aumenta de volume e vai tomando a forma arredondada, em torno do caule, descendo de sob o “chapéu” esverdeado. Ás dezessete horas e 37 minutos, a altura total era de 174 mm.
            Pode-se bem imaginar que é a mais maravilhosa e impressionante das observações relacionadas com os cogumelos o desenvolvimento de uma detiófora.
            O ponto culminante do maravilhoso espetáculo verifica-se quando a alvíssima rede, semiaberta, sofre uma espécie de soco e desprende-se totalmente, imprimindo a todo o conjunto um tremor que dura segundos.
            Naturalmente, procurei observar o maravilhoso e altamente curioso desabrochar tantas vezes quantas fosse possível. Consegui-o duas vezes em janeiro de 1890, seis vezes em 1892 e duas vezes em 1893, podendo fazer preciosa e exatas observações no acompanhar o estranho desenvolvimento da curiosa planta. De um modo geral pode-se dizer que as “dictióforas” completam a sua fecundação com o escurecer, pois, realmente, dão a impressão de serem flores noturnas. “Tão logo os raios do sol da manhã refletem sobre a planta já meio murcha, esta se abate e dela pouco depois nada mais resta que um montículo de ruínas pegajosas”.
            Mais adiante o Dr. Moeller escreve no seu livro “Cogumelos Brasileiros”:
            “A 14 de março de 1892, o Sr. Erich Gaertner encontrou, na chamada Ponta Aguda, no mato, dois cogumelos um tanto murchos e meio dilacerados e, ao lado, um “ovo” de “ dictiófora”, em começo de desenvolvimento, não pertencente, na minha opinião, à espécie citada. O “chapéu” era de cor alaranjada, sobre um largo colar de colorido rosa” O Dr. Moeller denominou essa espécie desconhecida de “Dictyophora, nov.spec.”
            Além dessa, ele encontrou, aqui, várias outras espécies desconhecidas de cogumelos que batizou e descreveu pela primeira vez. Entre elas, algumas que, de perto, nos interessam porque receberam denominações relacionadas com Blumenau e Santa Catarina, como:
“Blumenavia Rhacodes”; “Hypogrolla Gaertneriana”; “Itajahya nov. gen.”; “Celus Garciae”; “Peziza catharinensia” etc.
            No seu livro “Phycomyceten und Ascomyceten”, o Dr. Moeller escreve mais: “Possuo ainda muitos outros dados que o Sr. Gaertner registrava com exatidão, quase que diariamente, desde 11 de fevereiro a 19 de abril. Valia a pena basear-se nas observações relacionadas com o desprendimento dos esporos da “Daldinia” nas anotações meteorológicas do Sr. Gaertner”.
            Como resultado dos três anos de permanência do Dr. Moeller em Blumenau, ele deu á publicidade três grandes trabalhos científicos: Editado em 1893: “Die Pilzgaerten einiger suedamerikanischer Ameisen”; em 1895: “Brasilianische Pilzblumen”; em 1901: “Phycomyceten und Ascomyceten”. Todos os três livros se encontram no “Museu da Familia Colonial”, anexo à Biblioteca Pública de Blumenau. Todos eles são ricamente ilustrados com desenhos e fotografias.
            O livro: “Brasilianischen Pilzblumen” tem a seguinte dedicatória manuscrita do Dr. Moeller: “Ao seu querido e ilustre tio Fritz Müller, como cordial prova de agradecimento do autor. Berlim 4/11/95”. Por sua vez o exemplar do livro “Die Pilzgaerten einiger suedamerikanischer Ámeisen” porta a seguinte dedicatória do próprio punho do Dr. Moeller: “Ao seu querido cooperador nos trabalhos micológicos e nas excursões, Sr. Erich Gaertner, ao despedir-me de Blumenau, com a cordial gratidão do autor. 2 de junho de 1893”. Além disso, o Sr. Erich Gaertner recebeu uma maravilhosa fotografia colorida da sua “Dama do véu branco”, com a seguinte dedicatória: “Ao seu querido cooperador e amigo sr. Erich Gaertner, como lembrança. Berlim 1895, A. Moeller”.
            Essa fotografia, num quadro, esteve no quarto de Erich Gaertner até a sua morte e onde eu, pela primeira vez o vi e por mais de uma vez ouvi a sua historia dos próprios lábios de Erich.*)
            Pela cooperação que dera ao sábio, pela valia que este emprestava, seguidamente, a essa ajuda, Erich Gaertner adquiriu confiança em si mesmo e no seu trabalho. Prontificou-se a ajudar sua mãe na direção da Companhia Fuvial e, mais tarde, substituiu-a na direção dessa mesma Companhia. Tempos depois, foi nomeado Fiscal de Rendas Federais, cargo em que permaneceu até a sua aposentadoria.
            Tornou-se um dos mais respeitados e estimados membros da Comunidade Blumenauense, conquistando inúmeros amigos.
            Recordo-me ainda das muitas churrascadas que o mesmo oferecia nos fundos do seu parque, sob o grande bambuzal, da qual participavam, entre outros muitos  amigos, os dois farmacêuticos Reinoldo Anton e Georg Boehm, Augusto Zittlow, Otto Rohkohl e Hermann Rohkohl, o seu irmão Arnoldo Gaertner, sua irmã Edithe e a senhora Edithe Rohkohl. Também eu e a minha irmã, as duas crianças da vizinhança, éramos sempre bem-vindas.
            Nós éramos sempre carinhosamente recebidas por ele, que nos reservava uma porção especial de “Kuchen”, bombons e gasosa, o que nós não deixávamos de apreciar muito. Ele era um homem bom, muito liberal e humanitário, sempre pronto em ajudar os outros, embora um pouco esquisito e hipocondríaco. Erich Gaertner conservou-se solteiro. Durante os vinte anos em que sua irmã Edithe se manteve na Europa, como celebrada artista de teatro, dirigia a casa uma governanta idosa, a “Velha Gusta”. Possivelmente, ele nunca tivera oportunidade de se encontrar com uma moça que tivesse o garbo, a beleza e a semelhança da “Dama do véu branco”, a maravilhosa “dama” dos seus sonhos de rapaz.
            Teria a “dama” lhe trazido felicidade? Eu diria que sim. Pois a amizade com um sábio de grande renome, a cooperação em trabalhos de alto valor científico, o reconhecimento por esses trabalhos e a confiança que, em vista deles, conquistou em si mesmo, não será, por si só, uma felicidade?
            Erich Gaertner morreu de um derrame cerebral em abril de 1931, estimado e respeitado por todos.
*) O quadro com a litografia da “dama do véu branco” é conservada, juntamente com as obras citadas neste artigo, no “Museu da Família Colonial”. (N.da R.)
Revista Blumenau em Cadernos – Janeiro de 1959 nº 1

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

- Moto Clube de Blumenau

Motociclismo 
José Geraldo Reis Pfau
Na história do motociclismo o Moto Clube de Blumenau representou a cidade, no ano de 1952 inaugurando uma pista de velocidade. Evidentemente no barro. No terreno de Sebastião Voss, que se tornou o loteamento Guadalajara, na localidade Capim Volta - bairro Vorstadt em Blumenau, muitos dos nossos heróis gravaram para a história cenas indescritíveis.
                                     Alcides Ferreira e filha
Esses fatos surgem agora no FACEBOOK no grupo Antigamente em Blumenau que registra muitos dos fatos importantes da história da nossa cidade. O maior destaque no Moto Clube de Blumenau, na época foi quando o blumenauense Alcides Ferreira tornou-se ano de 1960 campeão nacional de motociclismo, disputa esta realizada em Interlagos em São Paulo. Foi campeão na categoria 150 cc., seu mecânico sempre foi Harry Kreutsfeld, ja falecido, antigo morador do bairro Vila Nova.
Alcides Ferreira, foi funcionário das Lojas Hermes Macedo naquela época, atualmente está com 68 anos, ainda disputando provas de Rally de automóveis no Paraguai, participando este ano no campeonato Sudamerico de rally e campeonato Paraguaio. Ele reside no Paraguai, seu filho Dick Ferreira foi campeão sudamericano de automobilismo, categoria A7, no ano passado, e é atual campeão paraguaio de rally na categoria N3. Seu neto, Guillermo Ferreira foi campeão de jet Sky ano passado no Paraguai e é o atual campeão em motos quadriciclos (ATV), força livre.
A imagem mostra a chegada com o segundo colocado 01 volta atrás. A pessoa de pé com botas era nosso  amigo Frederico Schwanke Neto, já falecido. 
São todos de uma família de campeões. Dieter Altemburg que é blumenauense e seu amigo foi um dos grandes adversários nas pistas. Do ano de 1962, há fotos que documentam Dieter competindo com resultados surpreendentes na pista do Moto Clube de Blumenau com sua Jawa CZ150 c.c..
 - A imagem de 16/09/1962, mostra a corrida de lambretas na pista do Moto Clube no Capim Volta Blumenau.
. N 84 - Dieter Altenburg Jawa CZ150 c.c; 147 Waldemar Konradt Blumenau Monarch; Lambreta (Joinville? Lico); 161 Roland Hausmann Monarch Blumenau Lav Luxor; 4 ? Monarch Joinville; 121 ? Monarch Joinville. Obs: à esquerda de Dieter aparecem Harry Kreutzfeld, Armin Klotz e Pagel.
(Arquivo Dieter Altemburg no Facebook))
Texto: José Geraldo Reis Pfau
Arquivo: Dieter Altemburg/Alcides Ferreira

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

- Cinema em Blumenau - Parte XXII

Mais uma bela colaboração de Carlos Braga Mueller/Jornalista e escritor, continuação a série Cinema em Blumenau.
 


Crônica de Carlos Braga Mueller.


UMA SESSÃO DE CINEMA DE (MUITO) ANTIGAMENTE

Com notícias da época, e fotos também, rememoramos nesta crônica alguns momentos que marcaram a história do cinema em Blumenau.
 Foto : Hotel Holetz – no local desde 1962 Grande Hotel
Estamos voltando no tempo... 1918, 94 anos atrás. Nos fundos do Hotel Holetz ficava o Salão onde funcionava o cinema do senhor Busch.
O que segue são alguns momentos de pura nostalgia cinematográfica.
Imaginemos que tenha sido assim:

QUANDO O CINEMA AINDA ERA MUDO, MAS NÃO MENOS FASCINANTE! 
Naquele 26 de janeiro de 1918 os blumenauenses tiraram dos armários suas melhores roupas para uma ocasião especial:
À noite, às oito e meia, começaria uma sessão de cinema no Salão Holetz, e ninguém queria perder.
Na primeira parte do programa seria exibido em homenagem ao Tiro de Guerra 475, de Blumenau, um documentário mostrando a parada de 7 de Setembro de 1917 no Rio de Janeiro. Logo depois haveria a projeção de um grande sucesso europeu, o filme  A Fogueira, com Jane Hading e Raphael Duflos. 
 Cartaz /programa "A FOGUEIRA"
Emil e Rose chegaram cedo ao Salão Holetz.
As cadeiras não eram muito confortáveis, mas valia a pena chegar cedo para pegar os lugares mais na frente. As senhoras usavam chapéus da moda, geralmente de abas altas e largas,  o que atrapalhava a visão de quem estava sentado mais atrás. A primeira parte começou na hora certa. Era a execução de algumas peças musicais por uma pequena mas afinada orquestra.
Em seguida foi apresentado o filme  do desfile dos militares no dia 7 de Setembro na capital federal.
No intervalo, Emil e Rose aproveitaram para tomar um copo de gazosa no bar do salão.
Dado o sinal, a sessão recomeçou e na tela surgiram as primeiras imagens do filme francês "A Fogueira", estrelado por Jane Hading e Raphael Duflos, artistas de bastante expressão na época.
  Foto Jane  Hading
"A Fogueira" (La Flambée) era uma produção de 1916, da produtora "Le Film d'Art",  dirigida por Henri Pouctal e baseada na peça teatral do mesmo nome,  de Henri Kistmackers, dramaturgo bastante respeitado na Europa.
O filme se desenrolava durante a 1a. guerra mundial, que ainda não havia terminado, e mostrava o romance entre os dois principais atores: Jane Hading como Mônica, e Raphael Duflos interpretando Felt, um tenente coronel, secundados  por Marie de L'Isle e Jean Garat no elenco.
A orquestra acompanhava o desenrolar das cenas, dando ênfase às cenas de batalhas, suavisando os acordes quando o casal enamorado se encontrava.
Suspiros na tela e na plateia!
Ao final, haviam sido rodados os 1.900 metros de celuloide do filme, divididos em 6 atos.
Ao deixarem o Salão Holetz, Emil e Rose ainda escutavam os acordes finais da orquestra, encerrando o espetáculo daquela noite.
CURIOSIDADE: A HOMENAGEM AO TIRO DE GUERRA 475 
Por que a homenagem ao Tiro de Guerra 475 nesta sessão de cinema ? 
No dia 7 de janeiro de 1917, sob a presidência do Juiz de Direito,   várias autoridades de Blumenau se reuniram naquele mesmo Salão Holetz para tratar da fundação de um Tiro de Guerra, o que vinha ocorrendo em várias cidades brasileiras.
O primeiro "tiro de guerra" havia sido fundado em 1902 na cidade gaúcha de Rio Grande, uma sociedade de tiro ao alvo  visando a formação de militares da reserva, iniciativa que prosperou nacionalmente quando em 1916 Olavo Bilac começou  uma campanha cívica, pregando o serviço militar obrigatório. Este, já havia sido instituído em 1908, mas a legislação determinava que o recrutamento fosse feito por sorteio. Além do mais, no interior não existiam unidades militares do Exército suficientes para o cumprimento da lei.
Com o apoio do instrutor do Tiro de Guerra de Joinville, no dia 11 de fevereiro de 1917 foi constituída a Sociedade de Tiro de Blumenau, o futuro Tiro de Guerra 475.
João Pedro da Silva foi eleito seu presidente, tendo como vice Victor Konder. Para presidente de honra foi indicado Paulo Zimmermann.

Enquanto isso, o cenário na Europa era de guerra. No dia 11 de abril de 1917, premido pelos aliados, o Brasil rompeu relações com o bloco germânico  e depois de ter vários navios mercantes torpedeados por submarinos alemães, e pressionado pelo povo, no dia 26 de outubro de 1917 o governo brasileiro declarou guerra à aliança germânica. Blumenau era considerada uma extensão da Alemanha no Brasil; mesmo assim, com desconfiança, foi neste outubro de 1917 que o Governo Federal reconheceu oficialmente o Tiro de Guerra 475 de Blumenau

Por isto a homenagem ao  Tiro de Guerra e ao seu instrutor Abílio Gomes Chacon naquela sessão de cinema no Salão Holetz, em 26  de janeiro de 1918, era plenamente justificada. 
Em julho de 1919 procedeu-se aos exames da primeira turma de reservistas em Blumenau.
Arquivo/Carlos Braga Mueller/John Pereira  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

- A morte da Prainha

Ilustração: Livro 1999- Um alemão nos trópicos
Alusivo ao Centenário de falecimento de Dr. Blumenau 
- A morte da Prainha
Participação de Lauro Eduardo Bacca/ecólogo e ambientalista, que nos relata  sua preocupação sobre os trabalhos que estão sendo executados na prainha, símbolo histórico de nossa cidade. Quero salientar que dentro da lei ambiental não sou contra os trabalhos na margem esquerda. É uma obra necessária essa contenção da margem esquerda do Rio Itajaí Açú. 
Porém devemos nos preocupar sim com fatos históricos e que não estão prejudicando em nada, como é o caso da prainha...
Ouvi nesta quinta feira 06/09/12 no Jornal do Almoço RBS - O secretário de Planejamento Urbano, Walfredo Balistieri, dizer: "que as pedras estão ali só momentaneamente e que a prainha continuará com seu formato original".  
Que assim seja!!!  Adalberto Day
Por Lauro E. Bacca


Depois de profundas alterações provocadas por obras como dragagens, aterros, cortes, retificações e muros de concreto em margens, os Estados Unidos estão executando um projeto chamado de Rios Sustentáveis, que pretende reverter os rios do país ao estado natural, ou, ao menos, para uma situação mais parecida possível com o aspecto original dos cursos d’água.
“O objetivo não é apenas a preservação ambiental, mas também o bem-estar da população. Rios preservados são fontes de água limpa e causam menos enchentes”. Chegaram a essa conclusão depois de séculos de impactos ambientais causados nos seus rios. A iniciativa foi da organização The Nature Conservancy em parceria com o Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos, órgão responsável pela gestão da maior parte dos recursos hídricos do país.
A proposta está sendo aplicada como teste em oito rios. O primeiro foi o Green River, no estado do Kentucky, que tem 600 quilômetros, não muito maior que o Rio Itajaí. Entre os rios do projeto, existem os que passam por áreas urbanas, como também aqui no Vale. Antes dos Estados Unidos, a Europa já promovia a renaturação de vários rios. “A proposta reconhece que as cidades precisam se desenvolver, mas não podem prensar seus rios (grifo meu). Para isso, é preciso levar em conta as enchentes e não invadir os locais que são alagados em algumas épocas do ano”, explicam especialistas do projeto.

É mais do que hora de evoluir do primitivismo da ênfase às obras estruturais e do desrespeito aos cursos d’água naturais para ações concretas de convívio respeitoso com a natureza. A Europa e os EUA começam a reconhecer que erraram e tentam aprender a conviver com a natureza e não ficar lutando contra ela ou moldando-a, arrogantemente, ao nosso gosto, imagem e semelhança.

Lembrando isso, observo entre incrédulo e estarrecido mais uma inconcebível prensada no Itajaí-Açu, o absolutamente desnecessário enrocamento na curva da Ponta Aguda. Dormindo sob efeito de soníferos institucionais, a Faema nada faz e a Fatma, até onde sei, licencia um verdadeiro estupro da Prainha, um golpe profundo numa paisagem que é a própria identidade histórica, natural e cultural de Blumenau. Devo, porém, estar sonhando.

Foto Paulo Schneider
Foto batida por Jaime Batista da Silva
Leitores, por favor, me belisquem!
05/09/2012 | N° 12668
LAURO BACCA
Arquivo: Adalberto Day

sábado, 8 de setembro de 2012

- O cuidador da história de Blumenau

VARIEDADES  |  07/09/2012 17h59min
O cuidador da história de Blumenau
Aos 59 anos em (2012), o cientista social Adalberto Day é um dos maiores patrimônios culturais da história blumenauense
Nane Pereira  |  Especial
Quando vamos à livraria, procuramos normalmente alguém que entenda de livros, que saiba nos contar alguma história sobre ele, alguma curiosidade a mais, que outros olhos não viram. Perguntamos então pelo livreiro, que não é apenas o vendedor, ou o dono da livraria. Buscamos pelo cuidador: alguém que, além de amar os livros e suas histórias, sente um prazer sem igual em compartilhar isso com as outras pessoas. É por ele que procuramos.
Em Blumenau, existe um cuidador da história, alguém que quando menino já se via questionador. Que ao tocar as mãos da avó, ou dos pais, sentia a necessidade profunda de perguntar o porquê dos porquês. E que, com o passar dos anos, foi guardando na memória todas as histórias e informações que ouvia, talvez, sem fazer a menor ideia do quão importante se tornaria para uma cidade e do quão importante se tornaria para ele o sentido da palavra: compartilhar.
O menino tímido e curioso do Bairro Garcia cresceu. Hoje, Adalberto
Day, 59 anos, é homem formado. Cientista Social graduado pela Universidade Regional de Blumenau, professor aposentado das disciplinas de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, e um grande pesquisador da história do Grande Garcia. É casado desde 1976 com Dalva Day, com quem tem duas filhas: Louisiana Waleska, , e Vanessa Betina, .

– Meu pai é um patrimônio cultural da cidade. Ele se doa em prol da história da cidade, para que ela se eternize dentro do coração de cada blumenauense – comenta Vanessa, a filha mais nova.

A declaração foi comprovada recentemente durante a Gincana de Blumenau. Homenageado na 20ª edição do evento, no final de agosto, por sua eterna contribuição, 
Adalberto foi ovacionado pelo público, que gritava seu nome.

Apoio para o blog
Adalberto tinha um sonho e após tentativas frustradas de publicar um livro, O Vale do Garcia, decidiu (em 21 de julho de 2007) montar um blog, com apoio e motivação da filha mais velha, da esposa Dalva e do amigo Djalma Fontanella da Silva Filho.
 Postou todo o acervo que adquiriu no decorrer dos anos, sobre o Bairro Garcia e a região de Blumenau, e sobre algumas particularidades de seus habitantes, em um lugar onde todos poderiam ter acesso.
Hoje, o blog dele tem mais de 1 milhão de páginas acessadas _ só em 2011, durante as chuvas fortes, foram mais de 10 mil acessos apenas em um dia. O blog é fonte de pesquisa para estudantes, gincaneiros, jornalistas e curiosos. Pessoas de toda parte, a nível mundial.  
Foto:  Jandyr Nascimento  /  Agencia RBS
Em casa, Adalberto criou um espaço (um pequeno museu) para guardar verdadeiras preciosidades. São antiguidades que recebeu como doação ou que adquiriu no decorrer dos anos, como máquinas fotográficas, fotos antigas (várias delas e cada uma com uma história), rádios da década de 1962, relógio de pulso de 1920, máquina de costura de 1927 (que ainda funciona), toalhas de enxoval (doadas pelas mulheres que não casaram) com etiqueta de papel, dentre outras curiosidades que marcam um determinado tempo/história da região.
– O Adalberto é um grande homem, de caráter e de muita responsabilidade. Ele criou um verdadeiro museu em sua casa e tem o orgulho no coração de ajudar as pessoas e de levar informação e história para todos. É um grande exemplo que tenho a seguir. Ele sempre será meu professor – comenta o fotógrafo e blogueiro Jaime Batista da Silva.
 Honestidade
Quando questionado sobre sonhos e futuro, com voz calma, Adalberto responde:
– Que meu trabalho seja divulgado dentro de todas as escolas municipais, estaduais e particulares. Já realizei várias palestras, mas isso não é o suficiente.
Faz parte dos sonhos do pesquisador ainda encontrar mais pessoas incorruptíveis, que batam no peito e digam com honestidade: "Sou correto!".
Em janeiro deste ano, Adalberto ficou doente e, desde então, está numa luta constante. Mas ele não está sozinho. Tem o apoio e carinho da escudeira leal, a esposa Dalva, da família, dos fãs e dos amigos. O cuidador de histórias, apaixonado pela cidade de Blumenau, não perde as esperanças:
– Tenho que ficar bem, tenho muita história para contar ainda!.
Outras opiniões sobre Adalberto Day
07 de setembro de 2012
A gincana Cidade de Blumenau, através de suas provas, incentiva os participantes a conhecer história do município. E há muitos anos, o Beto é preciosa fonte de pesquisa e informação, contribuindo ativamente com a Comissão de Provas, não só com os registros formais, mas também com muitas curiosidades sobre nossa região. E o mais legal é que ele é tão prestativo que ajuda não só a organização, mas também todas as equipes, instigando a curiosidade e a vontade de aprender. Não é à toa que hoje ele é um ídolo entre os gincaneiros. 
André Murilo Mrozkowski, coordenador da Comissão de Provas da Gincana de Blumenau
O Beto, meu vizinho de infância, muito amigo da minha família, sempre foi uma pessoa amabilíssima. Bom amigo, ou melhor, autêntico amigo. Com o passar do tempo, aprimorou este seu lado e passou a se dedicar às causas, fatos e histórias do Grande Garcia, passando a ser uma referência para muitos estudos e teses. Tem sob sua guarda um farto registro, tanto escrito como físico, de muitas passagens, principalmente do grande Amazonas Esporte Clube, clube que ele, eu e milhares de pessoas admiramos e curtimos e que hoje está abaixo de toneladas de aterro. Foi lutador ferrenho, junto com amigos da existência hoje do Ambulatório Geral do Garcia, enfrentando autoridades e até moradores para que isto acontecesse. Assistiu e sofreu com as catástrofes que ocorreram em Blumenau, principalmente no Bairro Progresso. Poderia registrar várias facetas do Beto, mas isto levaria muito tempo. Das peladas que jogávamos no campo do Doze aos sábados à tarde... Enfim, grande Beto. Obrigado por sempre lembrar de mim. 
Djalma Fontanella da Silva Filho, técnico têxtil e amigo de infância de Adalberto
Para que a história possa continuar a ser contada, é preciso de homens como o meu pai para manter a memória de sua gente sempre viva para que as futuras gerações, possam se compreender como agentes de sua própria história. É assim que o homem evolui, conhecendo as suas raízes. O seu trabalho é acima de tudo um ato de amor com a sua gente, com as suas raízes. 
Louisiana Waleska Day, jornalista, filha mais velha de Adalberto
Somos do mesmo colégio, do mesmo bairro e admiro muito seu apego à História, às Ciências Sociais, o seu museu particular, com sua incrível coleção de fotografias, sua luta sempre garimpando fatos que seriam esquecidos para sempre se não fosse ele _ comenta a doutoranda em Geografia pela Universidade Federal do Paraná.
Urda Alice Klueger, escritora e historiadora
Jornal de Santa Catarina 08 setembro de 2012 – Sábado e domingo

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

- Blumenau anos 90

As imagens mostram um pouco dos eventos, da cidade e sua propaganda muito bem elaborada na década 90 (século XX.) em Blumenau.
Por José Geraldo Reis Pfau/Publcitário em Blumenau
Há mais de 20 anos (anos 90 Século XX) surgiu da Comissão de Turismo que a ACIB ativou para buscar resgatar o Conselho de Turismo um grupo de empresários com foco no turismo, o objetivo era reviver os investimentos que funcionaram na promoção de Blumenau nos anos 70. Da iniciativa surgiu o “Kongressbureau Blumenau” que com representantes do comércio – Emílio Schramm, da indústria - Mário John, do turismo - Jorge Barouki, de empresas aéreas - Julio (Varig), da hotelaria - Rosolfo de Souza Neto, dos restaurantes - Darci Peters, da propaganda - José Geraldo Reis Pfau e de outras tantas atividades próximas, teve o propósito de divulgar turisticamente Blumenau e captar eventos, feiras e congressos para realização na cidade. Alinhados nacionalmente, na sequencia o “bureau” passou a se chamar Blumenau Convention Bureau, mais tarde Blumenau Convention & Visitors Bureau. O nosso bureau é o pioneiro de Santa Catarina e um dos primeiros nacionalmente.
Blumenau é perto de tudo. Num lugar romântico com gosto e cheiro da Europa. 

Tendo a qualidade como a marca de tudo o que faz. Terra de produtos com marcas fortes, de gente tranquila e que tem a Oktoberfest como a sua maior festa. Dispõe de uma estrutura hoteleira e de eventos, pronta para transformar qualquer oportunidade num centro de negócios, num encontro agradável com clientes. Fica próximo da maior rodovia do sul, a BR – 101, servida por dois aeroportos, com mais de 20 mil leitos na região. Junto das melhores praias do litoral sul brasileiro, vizinha do Parque temático Beto Carrero. 
O Blumenau Convention & Visitors Bureau tem a nobre função de vender, mostrar esta proposta através da captação de eventos, abrindo as portas para que Blumenau, possa ser a sua paixão. Vale a pena conhecer Blumenau, sua estrutura e sentir o que se oferece como diferencial em qualidade. Faça em Blumenau seu próximo evento, nós temos com certeza a  melhor estrutura promocional para viabilizar sua ideia.
Texto José Geraldo Reis Pfau
As Imagens são  do folheto da divulgação da cidade como destino e o que se oferece para a realização de eventos, congressos e feiras produzido com patrocínio da EMBRATUR pela PFAU Comunicação. 

sábado, 1 de setembro de 2012

- 162º Aniversário de Blumenau

- Blumenau - Cidade Jardim - comemora em 02 de setembro de 2012, 162 anos de sua colonização. Povo ordeiro, trabalhador, pujante – nos remete a uma cidade cheia de orgulho, de esplendor de bela natureza e de um povo que se orgulha de sua cidade.
Parabéns, Blumenau!
- Mas essa data nem sempre foi considerada como data de sua fundação. Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau, fundador da cidade, considerava a data de 28 de agosto de 1852 como data de fundação de nossa cidade. Tanto é que em 28 de agosto de 1877 foi comemorado o 25º aniversário da cidade.
História
Dr. Blumenau partiu do porto de Hamburgo em 30 de março de 1846 com destino ao Brasil, viajando a bordo do veleiro “Johannes”. O primeiro contato com o Brasil foi no Rio Grande do Sul, quando chegou em 19 de junho do mesmo ano. Conheceu várias colônias alemãs daquela Província para posteriormente visitar Santa Catarina. A viagem de reconhecimento e exploração do grande rio Itajaí foi realizada no ano de 1848, acompanhado do comerciante Ferdinand Hackradt, guiados pelo conhecedor da região o canoeiro Ângelo Dias. Após o reconhecimento e encantados com o local, compraram terras para a formação de uma colônia na região.
- Feita a solicitação do pedido de concessão de terras junto à Província, Dr. Blumenau entrou em entendimento com as autoridades alemãs para dar continuidade ao plano colonizador. No Rio de Janeiro apresentou projetos de colonização ao Governo Imperial. Retornou à Alemanha (1849) para trazer os primeiros colonos. Retornou para o Brasil – Blumenau em março de 1850. Apesar das dificuldades, em 2 de setembro de 1850, chegaram os primeiros 17 pioneiros. Era o início de um empreendimento particular. Em 1860, devido a dificuldades financeiras, a administração da Colônia Blumenau passou a ser responsabilidade do Governo Imperial. Blumenau cresceu e se emancipou, em 1880. Dr. Blumenau casou aos 48 anos com Bertha Repsold na Alemanha. Deste casamento resultaram quatro filhos: Pedro Hermann, Cristina, Gertrudes e Otto, que faleceu meses após o nascimento.
Casa de Dr. Blumenau na Alemanha
- Dr. Blumenau nasceu a 26 de dezembro de 1819, no ducado de Braunschweig (Alemanha). Após viver trinta e quatro anos em Blumenau, seu fundador partiu em definitivo para a Alemanha, veio a falecer em 30 de outubro de 1899, aos 79 anos de idade. Em 1974, seus restos mortais foram transferidos da Alemanha para Blumenau, estando depositados no Mausoléu, erguido em sua homenagem.
Casa de Dr. Blumenau em Blumenau - destruída na enchente de 1880
- Blumenau foi fundada em 02 de setembro de 1850¹ pelo Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau - O poder público adotou esta data a partir de 02 de setembro de 1900, por ser a data em que chegaram os primeiros 17 imigrantes. Até então a data considerada de fundação era 28 de agosto de 1852, data em que Dr. Blumenau entregou os primeiros lotes na Região Sul (Garcia) em Blumenau.
- A região de Blumenau era habitada por índios Kaigangs, Xoklengs e Botocudos, e mesmo antes da fundação da Colônia Blumenau, já havia famílias estabelecidas na região de Belchior, à margem do ribeirão Garcia e margem esquerda do Rio Itajaí-açu.
- Inicialmente o centro da cidade era onde hoje se localiza a Avenida Duque de Caxias (Rua das Palmeiras), arquivo histórico José Ferreira da Silva, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Mueller e o museu da Família Colonial.
Centro histórico em 1867 e 1902
- A primeira Rua em Blumenau surgiu em 1852, com o nome de Palmenalle , onde foi construído o primeiro hotel, de alvenaria. Num dos quartos o Dr. Blumenau instalou a direção da Colônia. - A Rua Palmenalle mudou seu nome para Boulevard Wendeburg em 3 de fevereiro de 1883, depois para alameda Dr. Blumenau e em 8 de abril de 1939, para alameda Duque de Caxias através do Decreto-Lei nº. 68 de 18 de agosto 1942, na administração de Afonso Rabe. O Decreto-Lei nº. 1.202, que se referia sobre a nacionalização dos nomes de ruas, determinava que as ruas com nomes estrangeiros fossem alterados e colocados nomes nacionais. A povoação compreendia o início do Garcia, e parte da rua XV de Novembro.
- Muitos outros imigrantes atravessavam o Oceano Atlântico em veleiros de companhias particulares. E assim foi crescendo o número de agricultores, povoadores e cultivadores dos lotes, medidos e demarcados ao longo dos rios e ribeirões que banhavam o território da concessão. No princípio, a Colônia era de propriedade do fundador, Dr. Blumenau.
-Em 1860 o Governo Imperial encampou o empreendimento e Dr. Blumenau foi mantido na direção até a elevação da colônia. E a Lei nº 860, de 04 de fevereiro de 1880, à categoria de Município.Em poucos anos, Dr. Blumenau, dotado de grande energia e tenacidade, fez da colônia um dos maiores empreendimentos colonizadores da América do Sul, criando um importante centro agrícola e industrial influente na economia do país. Entretanto, em outubro de 1880, uma grande enchente causou sérios prejuízos à população e à administração pública, com a destruição de pontes e estradas. Com isso, a instalação do Município só foi possível em 10 de janeiro de 1883, quando assumiu o exercício a Câmara Municipal eleita no ano anterior. Depois disso o município recebeu o título de Comarca (1886) e finalmente, em 1928, passou à categoria de Cidade.
Quando Dr. Blumenau, esteve aqui pela primeira vez em janeiro de 1848, associou-se a um comerciante de nome Ferdinand Hackradt , e rumou ao Itajaí , onde Agostinho Alves Ramos emprestou embarcações , alimentos e um guia para explorações .Quando chegaram, encontraram famílias, com residências fixas, como os Haendchen, os Klocher os Deschamps, Klock, Schneider , Theiss, Kerbach, Peter Wagner, Peter Lukas, que vieram a partir de 1837 provenientes de São Pedro de Alcântara e outros que foram os percussores da colonização de Gaspar (Belchior e Pocinho) . Os dois últimos tinham grandes culturas e engenhos de açúcar no local “Capim Volta”, um conhecido bairro de Blumenau, hoje City Figueiras. Essas famílias deram suporte e sustentação a Dr. Blumenau, em seu tão sonhado empreendimento. Todas as famílias citadas deixaram descendentes por toda região do Vale do Itajaí, alguns deles casaram com imigrantes alemães que vieram após 1850. Quem os trouxe foi um caboclo forte e prudente, que foi recomendado como de inteira confiança, chamado Ângelo Dias, que prestou grandes trabalhos aos dois empreendedores. Todos esses nomes mencionados não vieram com Dr. Blumenau, que veio no intuito de organizar uma colônia, até então eram apenas famílias isoladas. Mas não devemos esquecê-las, pois tiveram sua importância dentro de um contexto histórico para o desenvolvimento de nossa cidade. O próprio Ferdinand Hackradt ficou na região próximo ao centro da cidade, enquanto Dr. Blumenau retorna à Alemanha e após conseguir convencer 17 imigrantes através de seu sobrinho Reinhold Gaertner a vir ao novo continente, chegam à foz do Ribeirão da Velha em 02 de setembro de 1850¹. Dr. Blumenau já se encontrava em Blumenau quando os 17¹ primeiros imigrantes chegaram.
Observação¹: Na realidade os 17 primeiros imigrantes chegaram em Desterro (Florianópolis) nessa data. Em Blumenau a primeira família a chegar foram os FRIEDENREICH no dia 09 de setembro, os outros vieram aos poucos e até a pé. Mas definiu-se em 1900 que a data seria 02 de Setembro de 1850. 
OS PRIMEIROS 17 IMIGRANTES
OS PRIMEIROS 17 IMIGRANTES
- REINOLDO GARTNER: com 26 anos de idade, solteiro, natural de Brunsvique, sobrinho, pelo lado materno, do Dr. Blumenau;
- FRANCISCO SALLENTHIEN, com 24 anos, solteiro, lavrador, também natural de Brunsvique;
- PAUL KELLNER; 23 anos, solteiro, lavrador,igualmente de Brunsvique;
- JÚLIO RITSCHER, 22 anos, solteiro, agrimensor, natural de Hannover;
- GUILHERME FRIEDENREICH, com 27 anos de idade, alveitar, natural da Prússia, casado com;
- MINNA FRIEDENREICH, 24 anos de idade, possuindo o casal os seguintes filhos;
- CLARA, com 2 anos de idade;
- ALMA, com 9 meses;
- DANIEL PFAFFENDORFF, 26 anos de idade, solteiro, carpinteiro, natural da Saxônia;
- FREDERICO GEIER, 27 anos de idade, solteiro, marceneiro, natural de Holstein;
- FREDERICO RIEMER, 46 anos de idade, solteiro, charuteiro, natural da Prússia;
- ERICH HOFFMANN, 22 anos de idade, ferreiro, funileiro, também da Prússia;
ANDRÉ KOLMANN, 52 anos de idade, ferreiro, igualmente da Prússia, acompanhado da esposa;
- JOANNA KOLMANN, 44 anos de idade, e das filhas;
- MARIA, 20 anos de idade, solteira;
- CRISTINA, 17 anos, também solteira, e
ANDRÉ BOETTSCHER, com 22 anos de idade, solteiro, ferreiro, natural da Prússia.
Observação: Adendo de Wieland Lickfeld 
O Friedenreich, que consta como sendo da Prússia, era de Hettstadt.
O Hoffmann, que também consta como sendo da Prússia, era de Osterfeld.
O Kellner, que aparece como sendo de Braunschweig, era de Barbecke.
O Pfaffendorf, também relacionado como da Prússia, era de Klein Endersdorf.
O Riemer também é citado como sendo da Prússia, e era de Osterfeld.
O Ritscher aparece como sendo de Hannover e era de Lauterberg.


O Sallenthien pelo jeito era da Branschweig mesmo.
PARABÉNS, BLUMENAU!
Vídeo curiosidades sobre Blumenau:
Com Susan Germer e Adalberto Day
Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Museu da Família Colonial SEPLAN / - Wieland Lickfeld. Arquivo: Mario Barbeta. 
Dalva e Adalberto Day 

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