"A Educação é a base de tudo, e a Cultura é a base da Educação"

Seja Bem-Vindo e faça uma boa pesquisa!

terça-feira, 18 de abril de 2017

- Time do Bom Retiro


Um dos uniformes que o FC Bom Retiro Utilizava - Alvinegro.
Poucos são os registros que temos sobre o Alvinegro Clube de Futebol Bom Retiro do bairro que emprestou o nome ao clube. Porém estes dados são importantíssimos para nossa história e quem sabe podemos ter a colaboração de outras pessoas e colocaremos no texto da postagem. Com a ajuda do Jornalista Giovani VitóriaMoacir Curbani, Theodor Darius, Wieland Lickfeld e Adalberto Jorge Kluser conseguimos alguns dados e fotos.

Quando garoto, lá pelos anos de 1960 ouvia falar que no final da década de 1920 o Amazonas Esporte Clube o primeiro clube de Blumenau do Bairro Garcia, havia contratado Leopoldo Cirilo um centroavante espetacular conforme ouvi em minhas pesquisas. A contratação foi a maior transação esportiva na época, reforçando o Amazonas que já possuía Nena Poli e outros, ajudando a formar na época um dos melhores clubes de Santa Catarina. Conheci tanto Nena Poli, de enorme estatura e forte fisicamente de cor branca. Leopoldo Cirilo de cor Negra, era alto e forte, ambos amavam o clube anilado do Garcia. Leopoldo Cirilo morava próximo a casa em que residíamos.
Leopoldo Cirilo e Nena Poli - craques do futebol de Blumenau
Foto 01
Futebol Clube Bom Retiro. Fotos provavelmente do início do Início dos anos 1950/51.
Na Foto 02: Pedro Curbani, o primeiro agachado da esquerda para direita. O terceiro agachado (com camisa escura) era o irmão do senhor Pedro: José Curbani, conhecido em todo o bairro Garcia, na época do Amazonas Futebol Clube, como Jépe. Jépe também atuou no Tupi (Gaspar) e Palmeiras de Blumenau.
Jépe irmão de Pedro Curbani além de jogar no Bom Retiro, também jogou no Tupi de Gaspar, Palmeiras de Blumenau e campeão por anos no Amazonas do Bairro Garcia. Um craque que chegou a ser convocado para a a Seleção de SC. Jogava de quarto Zagueiro e meio de campo. Batia pênalti com maestria. Na época os torneios inícios quando jogos terminavam empatados eram decididos por penalidade, três por equipe e um único jogador batia. Jépe conduziu o Amazonas a ganhar alguns torneios nas décadas de 1950/60.
Fonte: KORMANN, Edith. Blumenau: arte, cultura e as histórias de sua gente (1850-1985). vol. 1. 2ª ed. Florianópolis: Edith Kormann, 1996. Enviado por Wieland Lickfeld.

Pequena História:
Em 18 de outubro de 1926 foi fundado o "FC Bom Retiro”. Uniforme com cores preta e branca. Disputou o estadual de 1932, sendo eliminado pelo Brasil (Palmeiras) de Blumenau. O pequeno campo ficava no bairro mas não identificado.
O time ficou inativo no final da década de 1930. Outro Bom Retiro foi fundado posteriormente em 13 de janeiro de 1946 por remanescentes do FC Bom Retiro
TÚNEL DO TEMPO: F.C. BOM RETIRO - BLUMENAU
O Futebol Clube Bom Retiro, fundado em 18 de outubro de 1926,  foi o clube do bairro homônimo em Blumenau. As cores da bandeira e uniforme eram preta e branca.

O alvinegro foi o segundo time blumenauense no campeonato catarinense, em 1932. Naquele ano, quatro equipes participaram da competição no sistema eliminatório (mata-mata). No campo da Sociedade Ginástica (campo que hoje pertence a E.E.B.E. Pedro II) , em Blumenau, o Brasil venceu o Bom Retiro por 6 a 3.

No outro confronto, o Figueirense venceu o Brasil de Tijucas por 4 a 1. Na decisão, o time de Florianópolis sagrou-se campeão ao vencer o Brasil de Blumenau por 7 a 3. Nesse caso houve uma trapaça Leiam: A trapaça, campeão foi o Brasil, Palmeiras, BEC

Naquele ano, a diretoria do Bom Retiro era composta por: 
Presidente: José Baum
Vice-presidente: João Hahn
1º Secretário: Francisco Klitzke Jor
2º Secretário: Paul Fritzshe
1º Tesoureiro: Theodoro Darius
2º Tesoureiro: Walter Seelbach

O clube inscreveu 16 atletas para o campeonato catarinense de 1932, entre eles, Nilo Silva (Tigi), que mais tarde tornou-se um conhecido árbitro da Liga Blumenauense.
Nilo Silva; Arnaldo da Silva Porto; Herbert Otto; Helmuth Fischer; Paulo Fischer; Walter Seelbach; Ricardo Fischer; Afonso Balsini (Posto de Saúde da Velha Central tem o seu nome); Lauro Gracher; Theodoro Rodrigues; Bento Silva; Walter Deggau; Alfredo Creus; Walter Eisenhut; Theodoro Spitzer; Adolfo Pellath.
Fonte: acervo Osny Meira a ofício FC Bom Retiro/1932

Arquivo de Moacir Curbani/Adalberto Jorge Kluser/Adalberto Day/colaboração Giovani Vitória, Wieland Lickfeld, Theodor Darius e Adalberto Jorge Kluser/pesquisador do futebol catarinense.
Vídeo de Moacir Curbani:
Homenagem de Moacir Curbani ao Clube e seu pai Pedro
Para saber mais sobre o Bairro Bom Retiro clique em:
Bairro Bom Retiro

quarta-feira, 12 de abril de 2017

- Mamonas Assassinas

 Mamonas Assassinas em Blumenau
Domingo de Sol na Prainha
Concha acustica doada em 1986 pela Artex 
A matéria é reprodução de texto do JSC do ano de 2003.
Em outubro de 1995, Mamonas Assassinas faz show que entra para a memória da cidade.
Uma multidão se aglomerou na Ponta Aguda e do outro lado do Rio-Itajaí Açu para assistir à banda paulista que estava no auge da carreira.
Um meteoro de simpatia passou por Blumenau no dia 22 de outubro de 1995. Levados a condição de superestrelas da música em questão de meses, o grupo de rock Mamonas Assassinas chegou a Blumenau para encerrar o Festival Skol Rock, que era paralelo a Oktoberfest, no auge de uma carreira na qual a longevidade foi inversamente proporcional a irreverência que conquistou o país.
E aquele domingo ensolarado realmente ficou marcado na história da cidade, sobretudo para as mais de 50 mil pessoas (mais que o dobro do que qualquer outro show do festival) que assistiram à apresentação na Prainha. Nunca tantas pessoas estiveram, juntas, na praça que nos anos 90 virou reduto do lado roqueiro da festa mais alemã do Brasil.
Quem conseguiu um comemorado espaço na Prainha chegou muito antes do início do show, que começou por volta das 17hs. Perto dos ídolos, então; só quem madrugou nas margens do rio. Mas os barrados na festa não se deram por vencidos. Numa cena que não sai da memória de quem presenciou aquele dia, milhares de pessoas assistiram ao show da Avenida Beira-Rio ou das margens do rio, sem falar nos que improvisaram seus camarotes até onde a vista pudesse alcançar. Munidos de binóculos do alto dos prédios da Ponta Aguda e até do tradicional Fronshinn, o que, inclusive, chamou a atenção  do cantor Dinho:Queria mandar um abraço para o pessoal que está lá em cima, no hotel”, disse durante o show, sem saber que se tratava de um restaurante.
Multidão tomou conta da Prainha 
Vestidos de Chapolim, uma marca registrada do grupo paulista, os Mamonas Assassinas não decepcionaram os que se esforçaram tanto para vê-los.
As músicas engraçadas e de letra fácil fizeram todo mundo cantar do início ao fim. O antológico show foi o último dos Mamonas em Blumenau. Pouco menos de seis meses após a aparição na Prainha a meteórica trajetória do grupo foi bruscamente interrompida por um acidente aéreo quando voltavam para Guarulhos, terra natal do grupo.
Arquivo Jornal de Santa Catarina/Adalberto Day
Jornal de Santa Catarina, sábado e domingo, 30 e 31 de agosto de 2003
Colaboração: José Geraldo Reis Pfau e Caio Santos
História da Prainha:

quarta-feira, 5 de abril de 2017

- O Silêncio do Castelo

O Silencio do Castelo

A matéria é reprodução de texto do JSC do ano de 2003, referindo-se aos eventos de 1999. 
Blumenau 22 de fevereiro  de 1999
Criada em 1869 a Moellmann sucumbiu às dívidas e pediu falência 130 anos depois.
Fechamento do mais famoso ponto turístico da Rua XV surpreende a cidade em fevereiro de 1999.
O silêncio tomou conta do castelo mais famoso de Blumenau no dia 22 de fevereiro de 1999. Com dívidas que, na época, ultrapassavam a R$ 6 milhões, os 130 anos de tradição da Moellmann sucumbiram e a empresa decretou falência, encerrando de forma discreta e melancólica  as atividades. Naquela manhã, a cidade foi pega de surpresa ao descobrir o prédio inaugurado em 1978, na Rua XV de Novembro, de portas fechadas. Chegou-se a falar que o local seria transformado em um centro comercial, o que acabou não ocorrendo.

Autoridades e pessoas comuns lamentaram a perda de um patrimônio histórico de Blumenau. Apontado como uma das construções mais fotografadas da Região Sul, o castelinho teria pela frente anos de incertezas. Além do processo de falência, uma briga judicial se arrasta desde então. Isso porque, oficialmente, no dia do fechamento o prédio não pertencia mais à Moellmann. Oferecido como garantia do pagamento de empréstimos, o prédio há três anos havia sido repassado ao empresário Wandér Weege, de Jaraguá do Sul.
O confuso processo está indefinido até os dias atuais. Enquanto o impasse segue sem solução, a prefeitura encontrou uma forma de evitar que o local permanecesse fechado e, desde junho do ano passado, por recomendação judicial, instalou lá a Secretária de Turismo.
O imóvel que viria a se transforma no castelinho foi adquirido pela família Moellmann em 1919. O projeto arquitetônico marcante foi inspirado na prefeitura de Michelstadt, na Alemanha. A história da empresa começou um século antes, em 1817, pelas mãos de Carl Moellmann, carpinteiro que, em função das dificuldades para prosperar na Europa, veio com a esposa e os cincos filhos para o Brasil. Desembarcou em Florianópolis (na época, Desterro), onde, em 1869, abriu uma loja de tintas.
Anos depois, fazendo sucesso com a importação de utensílios e ferramentas da região onde nascera resolveu abrir filiais no Estado. A Loja de Blumenau foi a primeira, inaugurada em 13 de outubro de 1919.
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Castelo da Havan 
Observação: Em 31 de maio de 2008 A Loja Havan foi inaugurada no Castelinho ou Castelo.
Para saber mais e dados atuais leiam:
Inauguração do Castelo da Havan
Arquivo de Adalberto Day/Jornal de Santa Catarina, 1º de setembro de 2003 

quarta-feira, 22 de março de 2017

- Bandeira Nazista em SC

Esclarecimento sobre a bandeira alemã em Santa Catarina
Mais um importante Texto para pesquisas sobre a bandeira Nazista , enviado por Rafael José Nogueira. 
            Tem circulado uma imagem (imagem A) na internet referenciada de duas maneiras erradas: “Bandeira Nazista hasteada ao lado da bandeira Brasileira na sede do governo de Santa Catarina. Itajaí - SC – 1934”. Ora é fácil de saber que a sede neste ano já era em Florianópolis e não em Itajaí. Em outras legendas aparece o seguinte: “Sede distrital do Governo de Santa Catarina em 1934 (Arquivo Histórico de Blumenau) ”. Não diz qual é a cidade que seria a suposta sede distrital. Não achei até agora nenhuma informação sobre tal sede. Mesmo que fosse Blumenau ou Itajaí não faz sentido. Por que as duas cidades eram redutos da família Konder inimigos da família Ramos que estavam em ascensão e no comando do governo catarinense. Não acredito que deixariam essas cidades serem as supostas sedes distritais. Dariam um jeito de fazer que Lages ou alguma cidade próxima fosse a sede onde eram seus currais eleitorais.
            Reparem que na imagem A que é sempre identificada de forma errada temos a seguinte descrição “Arquivo histórico de Blumenau”. Mais que uma palavra de identificação a frase nos lembra os “sinais” destacada por Ginzburg. Para Ginzburg se a realidade se mostra nebulosa “existem zonas privilegiadas – sinais, indícios – que permitem decifrá-la” (GINZBURG, 1989, p. 177). A frase parece simples, mas olhando com mais profundidade, percebe-se a estratégia do falsificador da imagem. Pois, usar nome “Arquivo histórico de Blumenau” pode ser empregado como um nome genérico. Quem identificou a imagem com esse nome sequer sabe que o arquivo de Blumenau chama-se Arquivo Prof. José Ferreira da Silva. Até um carimbo aparece na imagem para tentar dar uma maior veracidade a mentira. A maior parte do carimbo está ilegível. Me parece que a única parte mais legível está escrito “Santa Catarina”.
            Pesquisei a origem da imagem e por meio de dois colegas historiadores do Rio Grande do Sul e descobri com mais algumas pesquisas simples na internet que na verdade a foto correta (imagem B) pertenceu a Exposição Farroupilha em Porto Alegre realizada em 1935 por conta do centenário da Revolução Farroupilha. Mas Rafael está escrito Santa Catarina no prédio? Correto. É que cada estado tinha seu galpão no evento. Na imagem correta (imagem B) também temos uma legenda com letras brancas muito comum em fotos antigas que parece ter sido tirado da imagem errada (imagem A) por meio de edição. Nem mesmo o tal carimbo existe. Na imagem C não vemos novamente o carimbo.
            Do ponto de vista histórico não há nada de errado em ver a bandeira alemã (do regime nazista) hasteada em 1934. Ela começou a ser adotada como bandeira da Alemanha em 1933. A partir de 1935 se tornou a bandeira oficial do país, até 1945. Assim sendo, onde quer que houvesse o hasteamento da bandeira alemã em 1934, muito provavelmente seria essa a bandeira em questão. Seja em Santa Catarina, São Paulo, Paris, Washington, etc. A Alemanha só veio a se tornar a vilã do mundo em 1939, ao invadir a Polônia e o Brasil só declarou guerra à Alemanha em 1942, 8 anos depois da foto. É errado falar de “bandeira nazista”, era o regime político. Quando olhamos a bandeira norte-americana em fotos antigas, não falamos “bandeira liberalista” ou “bandeira capitalista”.
            Ademais, se restou alguma dúvida sobre a foto realmente ser referente a Exposição Farroupilha de 1935, existem vários trabalhos acadêmicos sobre o evento, mostrando iconografias do pavilhão de Santa Catarima. Deixo dois para quem quiser ler mais sobre: “Um passeio pelo Parque Farroupilha e pela Exposição do Centenário” e “Do Palácio Piratini a Exposição do Centenário Farroupilha: O percurso das obras de Augusto Luiz de Freitas e Lucilio de Albuquerque” ambos os trabalhos da pesquisadora Marlise M. Giovanaz. Deixo também o link de um vídeo no Youtube mostrando imagens do evento: https://www.youtube.com/watch?v=SPebr1XVVIc. Verifiquei fotos das sedes municipais de Blumenau e Itajaí e ao observar sua arquitetura, percebi que a arquitetura dos prédios passa longe de qualquer semelhança com o prédio das imagens.
            Por último a título de uma confirmação oficial, mandei e-mail para o arquivo Prof. José Ferreira da Silva e obtive a resposta que o arquivo desconhecia a foto, tampouco tinha alguma relação com Blumenau, e que qualquer elemento do período nazista é sempre tentando estabelecer alguma ligação com o vale do Itajaí e região ou Santa Catarina. Liguei para o Centro de Documentação história e a resposta foi o que eu pensava: a imagem não existe em seus arquivos e não tem nenhuma ligação com Itajaí.
            Finalmente o trabalho de Juliano da Cunha Reginato: “A Produção Fotográfica da Exposição do Centenário Farroupilha: Visualidades de um Evento” que traz uma farta documentação fotográfica do evento, não deixa dúvidas ao mostrar as imagens do pavilhão de Santa Catarina. Entrei em contato com ele e o parecer dele foi de que a foto pertence a Exposição Farroupilha de 1935, inclusive ele apontou alguns pontos para isso:
1º - Arquitetura do prédio (pavilhão); 2º Padrão paisagístico usado no parque; 3º Mobiliário - Bancos do parque. Alguns ainda estão até hoje lá e são esses mesmo da foto e 4º Localização da bandeira. Em outras fotos do evento você percebe que ela ficava mesmo na frente do pavilhão deste estado. Apontou ainda que o fotógrafo provavelmente foi Olavo Dutra.
            Como historiador afirmo sem qualquer dúvida, que atribuir a imagem da esquerda a Blumenau ou a Itajaí é completamente errado e sem fundamento nenhum. É apenas uma tentativa tola e ingênua de ligar Santa Catarina com o nazismo de forma desesperada.
 
               IMAGEM A: Falsa e referenciada de dois modos errados: “Sede distrital do Governo de Santa Catarina em 1934 (Arquivo Histórico de Blumenau) e Bandeira Nazista hasteada ao lado da bandeira Brasileira na sede do governo de Santa Catarina. Itajaí - SC – 1934” Fonte: Sites e páginas da internet.
IMAGEM B: Imagem verdadeira, da exposição Farroupilha de 1935 em Porto Alegre. Fonte: https://www.flickr.com/photos_user.gne?path=fotosantigasrs&nsid=&page=403&details=1 .
IMAGEM C: Pavilhão de Santa Catarina na Semana Farroupilha de 1935. Fonte: http://lealevalerosa.blogspot.com.br/2010/05/centenario-da-revolucao-farroupilha.html

REFERÊNCIAS:
CORRÊA, Carlos Humberto. Um estado entre duas Repúblicas: a Revolução de 30 e a política catarinense até 35. Florianópolis: Editora da UFSC; Assembleia legislativa de Santa Catarina, 1984.

GINZBURG, Carlo. Sinais – Raízes de um Paradigma Indiciário. In: Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

- Russland I


Belíssima crônica da escritora Urda Alice Klueger,nos relatando sobre ’A conhecida Nova Rússia ou Russulana”.
(Para Elizabete Tamanini, Cesar Zillig e Juarez Aumond)



                                   Um dia, lá na aurora dos tempos, este planeta Terra se formou  todo quente e explodindo em vulcões e derrames de magma; um dia, também, ele esfriou e veio uma primeira glaciação, e depois, uma série delas, e aí nesse entremeio foi surgindo a Vida nas suas mais diversas formas, e ontem à tarde eu caminhei por um pedacinho privilegiado deste planeta, e era tão visível, ali, tantas destas coisas que vêm desde lá dos tempos mais remotos!
                                   Era uma estradinha no lugar que quando eu era criança a gente chamava de Russland – hoje, aquele lugar tão lindo é conhecido como Nova Rússia. Fica em Blumenau/Brasil, e é uma reserva ecológica, que abriga nascentes de bicas, arroios, riachos – e todas essas águas juntas acabam formando um rio, à beira do qual costumo acampar.
                                   E era no finalzinho da tarde, assim já depois que o sol se pusera por detrás dos morros altos, e uma fina camada de névoa azulada pairava sobre tudo e dentre tudo, principalmente dentre as árvores daquele resquício de Floresta Atlântica ali preservada, embora aqui e ali, dentro da floresta nativa, surja um Tannenbaum, ou um eucalipto, ou florescidos antúrios plantados sob a mata, à beira da estradinha – e embora exista por ali algumas casas de campo (eu diria: casas-de-mato), escondidas nos lugares mais inesperados, e umas três ou quatro propriedades rurais onde, em pastos de grama rasteira, vacas holandesas nos olham bondosamente com seus grandes olhos líquidos e mansos, e também alguns campings, e algumas outras curiosidades, como uma roça de cana, alguns jardins e cachorros, pode-se dizer que a preservação ambiental, ali, é boa, e pode-se embarcar nela e viajar para a história do passado deste planeta.
                                   O que sempre me chama a atenção primeiro é a estradinha, quase pendurada na encosta dos morros altos e quase caindo sobre o rio, lá embaixo – como venho muito a este lugar, tenho podido observá-lo nas mais diversas situações e estações do ano, e sei que o único lugar onde ela poderia existir é onde está, que na outra margem do rio é tudo perau tão escarpado, rochas abruptas disfarçadas sob a camada da floresta, que não haveria como se ter criado tal estradinha do lado de lá – assim como vejo hoje, depois de prestar muita atenção, muito gente, nos últimos milênios, também viu onde era a passagem possível, e aquela estradinha, um dia, começou a ser aberta e se tornou um caminho feito a pé de índio. Generalizo a palavra índio por não saber o nome das tantas possíveis nações que um dia por aqui passaram – afinal, desde a última glaciação, quando o mar recuou destes lugares onde estou, quanta gente deve ter passado por aqui?      
                                   Faz século e meio, lá por volta de 1860, que um jovem imigrante chamado Julius Bernhard Klüger, que foi o meu bisavô, também passou por aqui uma primeira vez, e foi cultivar a terra da sua primeira colônia lá mais para os confins da Russland, e o caminho já estava aberto. Mais adiante deste camping onde costumo ficar, bem mais adiante, há um pequeno cemitério com muitos parentes meus enterrados, comprovação inequívoca dos tantos meus antepassados que um dia aqui vieram trilhar a estradinha aberta a pé de índio – e que pouca modificação sofreu depois que os engenheiros e os imigrantes deram uma melhorada nela, com tratores e enxadas.
                                   Então, ao pôr do sol de ontem, também eu estava a trilhar a estradinha, o rio espumante e encachoeirado de um lado, lá embaixo, e as rochas partidas pelo resfriamento do planeta, em outros tempos, a formar a base dos morros, do outro – e era-me espantoso observar a quantidade de vida que se agarrava àquelas rochas, musgos, líquenes, samambaias e outras plantas, cada uma tentando fazer o seu trabalho de desmanche daquelas rochas que talvez estejam ali desde um antiquíssimo primeiro derrame de lava aqui nesta região. Talvez aquelas rochas já tenham passado por todo o calor e por tantas glaciações, e sejam testemunhas de todo o tanto de vida que já aconteceu por aqui, desde a das plantas, quanto a dos animais de diversos tipos, sabe-se lá quantos já extintos, e das diversas nações de gente que por aqui desfilaram, inclusive a dos imigrantes, e sabe-se lá em quantas delas havia pessoas do meu passado – e ali estão, portando seus musgos e seus líquenes, e esperando que a próxima glaciação chegue, embora, por enquanto, o mundo ainda esteja a esquentar, desde o último grande Frio... como queria eu poder perguntar tantas coisas àquelas rochas! O quanto poderiam elas me contar, que me escapa a este olhar limitado com que as olho!      

Para saber mais acesse:
Russland II
Russland III
                                                           Blumenau, 14 de setembro de 2007. 

                                                           Urda Alice Klueger
                                                           Historiadora, escritora e doutora em Geografia
                                                           

sexta-feira, 10 de março de 2017

- A Divina Regência

Dedicatória a Adalberto Day
Recebi através do correio o livro A Divina Regência, do meu querido amigo Olímpio Moritz, sempre emprenhado nas belas histórias e colaborar ferrenho do nosso Blog.
O livro de autoria de Rafael Boskovic, é uma espécie de ficção e realidade sobre de Blumenau e região.
Recomendo a quem possa adquirir o Livro no e-mail do próprio autor rafaelboscovic@gamail.com

Rafael Boskovic é advogado em Blumenau, Santa Catarina.
          Apaixonado por História, ideias, liberdade e engajado em causas políticas e sociais, une o prazer de escrever às possibilidades de mudar histórias, disseminar ideias e criar oportunidades de libertação.

Pequeno Relato:
          Richard Breyer, um famoso médico geneticista americano é assassinado. Suzana, sua esposa, e Júlia, sua filha, subitamente entram em um verdadeiro jogo de gato e rato. Tentam juntar as peças do misterioso assassinato de Richard ao mesmo tempo em que passam a ser alvo de sucessivas perseguições. Enquanto não conseguem entender quem realmente são seus inimigos e tampouco seus aliados, mãe e filha tentam se reencontrar e colocar um fim ao pesadelo que insiste em não terminar.

          A Divina Regência é um suspense que tem como plano de fundo grandes segredos escondidos por gigantescos conglomerados industriais, agências governamentais, sociedades secretas e organizações religiosas.
  
Consultoria Editorial e revisão: Luiz Bastos
Impressão e gráfica e Editora 3 de Maio Ltda.
Diagramação e capa: Mateus Leal.
Contato para compra : editoranovaliterarte@gmail.com

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