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terça-feira, 25 de julho de 2017

- Como era o pavilhão da Praça Hercílio Luz

Como era o Pavilhão da Praça “Dr. Hercilio Luz”
           Fazia um ano que havia terminado a Primeira Guerra Mundial.  Blumenau em 1919, pelos padrões de hoje, não passava de uma minúscula cidade do interior. A “Hauptstrasse”, Rua Principal, era revestida de pedra britada.
          Perto da Prefeitura ficavam o Correio, a Caixa Econômica, a “Deutsche Schule” (Escola Alemã), o “Theaterverein Frohsinn) (Sociedade Teatral Frohsinn), umas casas comerciais, um hotel e uma fabrica de Lacticínios. Já havia casas de dois andares, como o “Hotel Holetz” e as casas comerciais dos Srs. Katz Scheeffer e Jansen. Também havia admiráveis casas construídas no estilo da época, fora as de estilo enxaimel. Conservavam suas características até os nossos dias, a casa do Sr. Rudolf Kleine, hoje “Casa das Louças”, a casa do Sr. Alvin Schrader onde funciona hoje a “ Varig” e a “Casa Husadel”.
          O Vapor Blumenau era o mais importante meio de transporte entre Blumenau e Itajaí. Além dos passageiros comuns das mercadorias e do correio, trazia levas de imigrantes que procuravam aqui um novo lar, uma nova pátria.
          A Praça “Dr. Hercilio Luz”, defronte à antiga Prefeitura, era o principal ponto de reuniões da cidade, que não parava de crescer. Esta praça e a Alameda de Palmeiras na rua Duque de Caxias, estava sob os cuidados de Mathias G. Fabian que possuía uma “Abricultura e Floricultura” na rua São Paulo. Ele tinha aprendido as artes de agricultura e Floricultura na “Schlossgaertnerei” de Heidelberg, que pertencia ao seu tio. Veio ainda moço, ´orfão, na companhia deste tio para o Brasil. Quando não lhe restava mais nada de sua herança parou em Blumenau. Aqui casou-se em 1914 com Frida Schoenfelder, também órfã, neta de Cristian Schoenfelder, que veio em 1853 e de sua mulher Henriette, Nata Fischer, que migrou em 1855 para o Brasil.
          Mathias notou que havia poucas diversões na cidade e que as pessoas que durante a semana toda trabalhavam de sol a sol, não tinham um lugar próprio, para nos fins de semana , bater um papo e tomar umas bebidas. Lembrou-se então de um coreto de praça na cidade de Heidelberg, na Alemanha, onde se criara.
          Este coreto atraia os cidadãos nos fins de semana. Era o lugar onde se ria, conversavam , conhecia pessoas, começava namoros, bebia vinho e cerveja, levava as crianças para passear e enfim se passava o templo livre.
          Por que não poderiam fazer a mesma coisa aqui? A ideia teve o apoio do então superintendente municipal, Paulo Zimmermann e tornou-se realidade. Foi lavrado em 1919, um solene contrato no livro próprio da Comarca de Blumenau, pelo qual o Sr. Mathias G. Fabian se obrigava a construir um “Pavilhão de Coreto de Música e Botequim”, na Praça Dr. Hercílio Luz.
          Constava ainda do documento, que o contratante estava obrigado a colocar no jardim da praça as mesmas mesas necessárias para o serviço de restaurante, atendimento ao público todos os domingos e feriados.
          O Pavilhão, como passou a ser conhecido, desde logo foi bem recebido pela população, e como na velha Heidelberg, do outro lado do Atlântico, tornou-se um ponto de encontro e lazer. A banda de música tocava, as pessoas passeavam, se divertiam, tomavam vinho e cerveja, além de gasosa, do capilé e da cachaça, tudo fabricado em Blumenau ou nas redondezas.
          O coreto passou a ser um centro de convergência das pessoas, já que no inicio da rua das palmeiras era o ponto de “carros de mola” e também de ônibus puxado por dois pacientes cavalos, do Sr. Gustav Grassmann, o qual fazia a linha do centro de Blumenau até o bairro de Itoupava Seca.
          O tempo ia passando, o Pavilhão abria também nos dias úteis.
Agora os moradores do interior, que tinham que fazer suas compras na cidade, pagar seus impostos ou vender seus produtos agrícolas de casa em casa, faziam sua parada no Pavilhão. Lá tomavam cerveja fabricada por Franz Hosang, Otto Berner Otto Jenrich, todas produzidas em Blumenau e comiam um pãozinho. As mulheres e  crianças gostavam de uma gasosa feita por Luiz Probst e Otto Jensen ( ou de capilé). Fabrivcavam naquela época capilé,  vinho de laranja e carambola, e os fornecedores eram Ernst Siebert da rua São Paulo e Rudolfo Thomsen, da Velha Central.
          O segundo fabricante ainda o célebre “Bitter Estomacal” muito requisitado. Até hoje, Sr. Thomsen, que mais tarde tornou-se proprietário da fábrica de vinagre do Sr. Siebert, guarda a primeira nota fiscal que sua firma extraiu no longínquo ano de 1929 e que tem como destinatário o Pavilhão de Mathias Fabian.
          Além dos pãezinhos tipo “bundinha” com queijo, salame, linguiça e ovos preparados em casa, à clientela era atendida com docinhos, chocolates e balas. Nos fins de semana havia cuca caseira especialidade de Dª Frida. Perto do Natal não faltavam maçãs e peras estrangeiras, maçã-pão e a gelatina “Waldmeister” importadas.
          Nos fins de semana, em dia de festa ou eleições, havia um suculento churrasco.
          Na época os cigarros eram de palha, mas havia grande sortimento de charutos como os dos “Irmãos Rothbarth”, de Blumenau, e Arthur Buerguer, de Pomerode.
          Em 1929, no governo de Curt Hering, o contrato foi renovado por mais dez anos. O pavimento foi aumentado. Neste tempo Mathias Fabian foi encarregado de projetar e executar a reforma e o embelezamento do jardim público da “Praça Dr. Hercilio Luz”, Foram acrescidas novas árvores ás já existentes, arbustos raros, árvores estrangeiras e semeadas flores. Bancos de madeiras pintados de verde, com os pés de ferro fundido, foram colocados. Todos os caminhos foram revestidos de uma camada de “Schamotte” coberta de areia.
          O “Schamotte” não prejudica as raízes das velhas e preciosas árvores que até hoje são o orgulho dos Blumenauenses.
          Bonito e aconchegante como se tornou o jardim, não faltavam visitantes que ocupavam os seus bancos. Ao por do sol, quando o céu se tingia multicolor, entre outras, o Sr. Arthur Koehler, proprietário do Jornal Periódico “Der Urwaldsbote”, procurava seu lugar predileto num banco à beira do rio Itajaí-Açu, com vista para o lindo panorama da cidade.
          A cidade cresceu muito, o ônibus puxado a cavalo foi substituído por um motorizado. Inaugurou-se linha para o bairro da Velha.
          Automóveis começaram a circular. A grande inovação da Tecnologia moderna no Pavilhão foi um caça-níqueis, que fazia a alegria não só dos jovens, como também de respeitáveis senhores de compridas barbas.
          Surgiram também os clubes de futebol, O Amazonas E.C. o “Blumenauense” hoje “Olímpico” o “Brasil”, depois “Palmeiras” e agora “Blumenau”, festejavam suas vitórias no Pavilhão da Praça “Dr. Hercilio Luz”.
Foto: Jaime Batista da Silva
          Em 1939 o contrato não mais foi renovado e acabou-se uma tradição.
          O pavilhão foi demolido, surgiu um posto de gasolina e mais tarde, no mesmo local foi erguido o “Monumento dos Voluntários da Pátria” .
Erica Pantzier – Filha de Mathias Fabian
CONTRATO
          A seguir vamos reproduzir os termos do contrato firmado entre o  superintendente  Zimmermann e o sr. Faban e que estabelecia o seguinte:
          Contrato para a construção de um pavilhão, na praça Hercilio Luz, que faz a Municipalidade de Blumenau com Mathias Fabian.
          Por este contrato, lavrado no livro de contratos da Câmara Municipal de Blumenau, o Superintendente Municipal Sr. Paulo Zimmermann e Mathias Fabian.
          Por este contrato, lavrado no livro de contratos da Camara Municipal de Blumenau Sr. Paulo Zimmermann e Mathias Fabian, jardineiro, morador nesta Cidade, perante as duas testemunhas (...) acordaram o  seguinte: Clausula Primeira: Matias Fabian obriga-se a construir até o dia 15 de novembro próximo, na Praça Hercilio Luz, desta Cidade, em lugar designado pela Municipalidade e de acordo com a planta por esta apresentada, um pavilhão para coreto de música e botequim, e a colocar no mesmo jardim as mesas necessárias para o serviço de restaurante que o contratante também se obriga a manter, correndo todas as despesas por conta do mesmo contratante Mathias Fabian.
Clausula Segunda: O Município de Blumenau concede ao contratante, em compensação, isenção de todos os impostos municipais. Durante o prazo de doze anos.
Clausula Terceira: Findo este prazo de doze anos, o pavilhão passará a ser propriedade da municipalidade, sem qualquer indemnização ao contratante, o que sucederá também se, durante o tempo do contrato, o Mathias Fabian deixar de explorar o estabelecimento, atendendo o público todos os domingos e dias feriados.
Clausula Quarta: A Câmara Municipal de Blumenau obriga-se a não fazer concessão igual no jardim da Praça Governador Hercilio Luz, durante os dozes anos de duração deste contrato. E por se acharem deste modo contratos, fez-se este que vai assignado pelo Superintendente Municipal e pelo outro contratante Mathias Fabian e pelas testemunhas F.E.F, que a tudo estiveram presentes. E para os fins legais dá-se ao presente o valor de (Rs. 600S000) seiscentos mil réis.
Revista Blumenau em Cadernos; Tomo XXVIII/4; abril de 1987, Fundação Cultural de Blumenau e Arquivo HJFS. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

- As angústias de Dr. Blumenau

AS ANGÚSTIAS DO DOUTOR BLUMENAU
Por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista


Hermann Bruno Otto Blumenau foi um visionário e, ao mesmo tempo teve que ser um sonhador para concretizar a implantação da sua Colônia no sul do Brasil.
Quando lhe foi negada, pelas autoridades provinciais de Santa Catarina, a concessão gratuita das terras ele arriscou todo o dinheiro que tinha, e mais o que conseguiu com a família por empréstimo, constituindo uma empresa com Ferdinando Hackradt, passando a ser o detentor de uma Colônia particular. 

Conseguiu atrair poucos imigrantes para, com ele, fundar a futura cidade de Blumenau. Eram apenas 17, nove homens solteiros, duas mulheres solteiras, 2 casais, duas crianças. 

Mas chegando à densa floresta, onde índios selvagens estavam a espreita dia e noite, quase todos desistiram de ficar por aqui. Dos primeiros, só a família de Guilherme Friedenreich, o casal e duas filhas, e o charuteiro Frederico Riemer radicaram-se definitivamente na Colônia.
Os demais foram sucessivamente procurando outras plagas.
Aos poucos chegavam mais imigrantes, atraídos pela propaganda que na Alemanha se fazia sobre um futuro feliz no outro lado do mundo.
José Ferreira da Silva, no seu livro ”História de Blumenau”, narra as vicissitudes e infortúnios de Hermann Blumenau desde o início da colonização:
Casa de Dr. Blumenau que foi destruída na enchente de 1880

“Os infortúnios que ensombraram a vida do Dr. Blumenau multiplicaram-se com a chegada dos imigrantes. Atender-lhes as precisões mais urgentes, ouvir as queixas e reclamações de alguns, que se sentiam desiludidos, de outros torturados pelas saudades da terra natal, pensar na maneira de conseguir fundos para levar de vencida sua meta, eram assuntos que não o deixavam um só momento.” 
Alameda Duque de Caxias, Rua das Palmeiras em 1864

Em 1860 conseguiu transferir a responsabilidade da Colônia para o Governo Imperial e foi nomeado seu administrador, recebendo salário, o que o tirou do sufoco financeiro pelo qual passara desde a fundação, em 1850.
Até que, em 1881, a Colônia Blumenau foi elevada a município e Hermann Blumenau destituído da função.
Começava aí outra saga na sua vida, as dificuldades financeiras, sempre elas, com a possibilidade de não ter recursos para um futuro mais tranquilo.
A revista Blumenau em Cadernos, nas suas edições mais recentes vem publicando uma série de correspondências trocadas entre o Dr. Blumenau e seu amigo, Barão de Capanema.
O brasileiro Barão de Capanema, ou Guilherme Schüch, era filho de austríaco. Estudou em Viena e em Munique, na Alemanha, onde teve o apoio do botânico Von Martius, amigo de Hermann Blumenau.
Homem de confiança de D. Pedro II, Capanema em determinada época foi o encarregado de administrar a implantação de linhas telegráficas no Brasil, inclusive em Santa Catarina, onde contratou para o serviço o agrimensor Emil Odebrecht. Nesse tempo a amizade entre o Barão e Hermann Blumenau foi solidificada.
Por isso, prestes a deixar a administração da Colônia, elevada a município, ele contava suas mágoas, por carta, ao amigo. Reproduzimos alguns tópicos da correspondência:

Desde 1846 trabalhei duro neste país, procurei ajudar e ser útil onde era possível e servi ao Estado com entusiasmo, fidelidade e honestidade. Disso não colho méritos, pois apenas estava cumprindo a minha obrigação. No entanto, o fato de eu ter trabalhado muitas vezes além das minhas forças, e com isso arruinado completamente a minha saúde bem antes da hora e de ter ficado praticamente inválido para o trabalho, e ter me sacrificado bastante e ter sempre preterido os meus interesses e os da minha família, e apesar de termos vivido sempre modestamente, aos 62 anos não ter o suficiente para poder encarar o futuro sem preocupações, isso talvez mereça alguma consideração.”
Por isso, ao voltar para a Alemanha em agosto de 1884, sentia-se frustrado pela falta de reconhecimento por parte do Imperador.
Entretanto, várias vezes manifestou o desejo de permanecer e morrer na cidade que fundara e que tanto amou.
Nascido em 26 de dezembro de 1819, Hermann Bruno Otto Blumenau morreu em Brunsvique, Alemanha, no dia 30 de outubro de 1899. Estava com 79 anos, prestes a completar os 80.
Texto enviado por Carlos Braga Mueller/escritor e jornalista.
Para saber mais sobre Blumenau acesse:
Vídeo curiosidades sobre Blumenau:

http://www.youtube.com/watch?v=RIiU70pcf9U
Com Susan Germer e Adalberto Day

segunda-feira, 3 de julho de 2017

- Humor no Reino do GARCIA

Monarquia em Blumenau: Sargento Junkes e o glorioso Reino do Garcia
Publicado 3 DE JULHO DE 2017 / ANDRÉ BONOMINI Blog “A Boina”.

Abro espaço em meu blog como pesquisador e cientista social para um pouco de humor muito bem elaborado em nosso Grande Garcia. Com certeza vai fazer parte de nossa história. Adalberto Day
Existe um país encravado dentro de Blumenau. Um lugar que, cansado de ser um distrito da cidade, resolveu se tornar uma independente, uma monarquia que já tem Rei, parlamento, comitiiiva e projetos para se tornar ainda mais forte: É a saudável brincadeira do Reino do Garcia, criação de Tiago Junkes, ou melhor Sargento Junkes, morador do Reino do Garcia desde sempre e apaixonado por seu lugar, histórias e personagens.
Para conhecer a história  do Reino do Garcia acesse clicando em: 

A imagem mostra toda a Região Sul de Blumenau - Grande Garcia em 1978
História:
- O Bairro Vila Formosa foi criado em através da lei nº 717 de 28 de abril de 1956, na administração do Prefeito Guilherme Frederico Busch.Jr. O caminho paralelo à margem esquerda do ribeirão Garcia já constava no mapa da colônia Blumenau de 1864, existindo também a demarcação de alguns lotes coloniais. Este caminho atualmente é conhecido por Rua Hermann Huscher. Esta denominação foi dada em homenagem a um grande proprietário de terras no Bairro Vila Formosa, que inaugurou um curtume no dia 7 de janeiro de 1898.
- O Bairro Garcia que recebeu este nome em homenagem às famílias vindas do Rio Garcia, da cidade de Camboriú, recebeu esta denominação oficial através da lei nº 717, de 28 de abril de 1956, pelo Prefeito Frederico Guilherme Busch Jr. . O nome de Rua Amazonas foi colocado devido que na época era comum utilizar nomes de Estados, antes era conhecida com o nome de terras Die Kolonie. "A colônia”.
- O Bairro Progresso foi oficializado pelo Prefeito Frederico Guilherme Busch Jr. Através da lei nº 717, de 28 de abril de 1956.O nome Progresso originou-se após as implantações das empresas; Industrial Garcia e Artex – os moradores “diziam quando eram indagados onde residiam, que moravam onde o Progresso estava chegando” referindo-se as industrias. A Rua Progresso tem essa denominação desde 28 de agosto de 1952 – Decreto Lei nº 364. conforme artigo 2º. Antes era conhecido como Alto Garcia ou Garcia Alto e distrito do Jordão. E quem morava onde hoje é a Rua Rui Barbosa dizia que morava no “Krohberger ” ou Krohbergerbach “bach ribeirão”, ou ainda somente “Kroba”, devido a primeira família a morar na região Sr. Heinrich Krohberger, que chegou por aqui por volta de 1858 e falecido em 22 de abril de 1914 que possuía uma grande propriedade era engenheiro, agrimensor prestou serviço em vários governos inclusive com Dr. Blumenau, projetou as primeiras e maiores obras de vulto do município , entre os principais estão a construção das pontes do Garcia e do Salto, igrejas católicas e evangélicas.
- O Bairro Glória foi oficialmente criado através da lei nº 03, de 04 de fevereiro de 1938, Pelo prefeito José Ferreira da Silva, o bairro foi oficializado pelo Prefeito Frederico Guilherme Busch Jr. Através da lei nº 717, de 28 de abril de 1956. .O nome Glória foi colocado em homenagem a um antigo clube musical chamado Glória que existia desde 1920, antes era conhecido com o nome de Specktiefe (palavra de origem alemã que quer dizer caminho lamacento ou gorduroso, lama vermelha).
- O Bairro Valparaiso deve-se o nome ao Loteamento conjunto Valparaiso dado em homenagem a uma cidade chilena.Antônio Zendron havia comprado o lote de João Gebin, em 1920, onde no local havia uma plantação de abacaxi na vertente da direita e mandioca na vertente da esquerda do ribeirão. Com o desmembramento o caminho da roça se tornou a Rua Antônio Zendron, que recebeu a denominação oficial em 28 de agosto de 1952. O bairro ainda é mais conhecido como ZENDRON do que por Valparaiso .
- O Bairro Ribeirão Fresco foi oficializado pelo prefeito Frederico Guilherme Busch Jr. Através da lei nº 717, de 28 de abril de 1956. No mapa de 1864 já constava o nome de Ribeirão Fresco, antes conhecido como Kuhler Grund – solo Fresco, denominação usada pelos primeiros imigrantes. Observação : o bairro preferiu não participar do Distrito do Garcia, mas é parte integrante do Grande Garcia.

Fonte: SargentoTiago Junkes. Acervo particular da Família de Dalva e Adalberto Day

terça-feira, 20 de junho de 2017

- Blumenau, Chorei de tanto amor!

Mais uma participação da escritora, historiadora Urda Alice Klueger. Hoje nos corta o coração falando lá de sua nova morada em Enseada de Brito, falando de sua cidade Natal Blumenau.
ALÉM DO NORTE, LÁ TAMBÉM É O ESCRÍNIO DA MAIS PRECIOSA JÓIA
                                
                           Por acaso, aqui na internet, passei por uma foto que me fez parar e olhar com mais atenção. Ampliei-a. Dei a primeira olhada.
                         Era da cidade que já foi minha, vista bonita, Beira Rio, provavelmente tirada do Morro da Antena, e a olhei com curiosidade, pois por tanto tempo aquela cidade foi minha que deveria me despertar alguma reação.
Rua XV de Novembro, 1398
                         E a reação veio, mas nada dizia do lugar aonde nasci à Rua XV de Novembro 1398,  em Blumenau, nem da minha infância na Garcia, nem das escolas que frequentei, nem dos empregos que tive, nem dos lugares onde morei, nem das pessoas que conheci – por um momento foi uma foto estática, que nada dizia além da localização geográfica e do ângulo em que foi tirada, até que, com a força de um vulcão em erupção, irrompeu das minhas entranhas, do meu coração, do meu âmago, das mais vivas e fortes fibras do meu ser, da minha essência mais profunda o que aquela cidade representava para mim, e que era a intensidade do amor, e o nome do amor afluiu à minha boca e ao meu coração com a intensidade de sempre, e eu me curvei de dor a repetir aquele nome, e me curvei de dor porque nada mudou, tantas décadas depois, e aquela cidade, e aquela Beira Rio que ainda não existia, e aquele rio simbolizam o mesmo amor que um dia simbolizaram e deram o sentido da minha vida, mesmo quando a espada do Destino veio e cortou abruptamente aquela maravilha que se vivia. Encurvada pela dor, olhava para aquela foto e ouvia, como que rimbombando poderosamente em todo o meu entorno aquele nome que eu pronunciava como a palavra cabalística que é e que faz toda a diferença em eu estar viva ou não estar, e esse estar viva ou não estar é o que acontece nesta vida e que deverá acontecer em outras.
                                   Então, agora sei o que aquela cidade representa, e lá de ela, através da foto ocasional, o amor estava e veio em ondas coloridas e chegou até mim, e só então eu entendi a cidade, o porquê da cidade, qual o meu laço com ela. Como que ancorada lá, está a mais linda história de amor que alguém já viveu e agora eu posso ir-me e ser feliz porque a história está comigo como meu bem mais precioso, e se algum dia tiver alguma dúvida, saberei onde está o escrínio que guarda aquela joia mais preciosa de todas, pois está comigo mas tem as raízes lá.
                                   Chorei de tanto amor por todo o tempo em que escrevi este texto.

                                   Enseada de Brito, 05 de maio de 2017, dia diáfano de tão azul clarinho.
                                   Urda Alice Klueger
                                   Escritora, historiadora e doutora em Geografia.

Arquivo de Adalberto Day 

terça-feira, 13 de junho de 2017

- Jornal Sem Fronteiras

 
Quando recebi o convite para conceder uma entrevista ao Jornal Sem Fronteiras da querida cidade de Gaspar, através da Escritora, Jornalista, colunista senhora Arlete Trentini dos Santos, fiquei muito honrado e agradecido.
Mais feliz ainda por ser a edição de comemoração dos quatro anos de fundação do Jornal.
Resolvemos então, transcrever o conteúdo : 
Adalberto Day, cientista social e pesquisador da história em Blumenau.
Um catarinense de quem nos orgulhamos: Senhor Adalberto Day! Isso motivou-nos a convidá-lo para fazer parte da Vitrine Literária do Sul.
Ele tem, em sua casa, um grande Museu. Foram mais de 150  colaboradores. E esse museu tem muitas histórias. Encontramos lá máquinas fotográficas, que fotografaram a 2ª Guerra Mundial, máquinas de escrever, máquinas de costuras e rádios que ainda estão funcionando perfeitamente, relógios, louças, ferros de passar a brasa. São muitas peças que os imigrantes trouxeram na bagagem.
          O Senhor Adalberto Day nasceu em Blumenau a 15 de abril de 1953. É casado desde 1976 com Dalva Day, com quem tem duas filhas: Louisiana Waleska e Vanessa Betina. É Cientista Social, graduado com licenciatura pela Universidade Regional de Blumenau, professor aposentado das disciplinas de História, geografia, Filosofia e Sociologia, pesquisador da História de Blumenau.
          Tem vários trabalhos comunitários em Blumenau. Recebeu diversas menções e Moções. Recebeu o título Cuidador da História de Blumenau, em 2012, pela jornalista Nane Pereira. Em setembro de 2016, recebeu o titulo de Guardião da História de Blumenau, pela jornalista Aline Camargo.
          Quando menino, já era questionador. Sempre fazia perguntas á sua avó, Ana, e a seus pais. E com o passar dos anos, foi guardando na memória todas as histórias e informações que ouvia, talvez, sem fazer a menor ideia do quão importante se tornaria para uma cidade e do quão importante se tornaria o sentido da palavra: compartilhar.
          Gostaria de ver seu trabalho divulgado dentro de todas as escolas municipais, estaduais e particulares. Já realizou várias palestras, mostras, porém, sabe que é preciso muito mais.
          Depois da grave enfermidade em 2012, ficaram muitas sequelas, contudo, o Sr. Day diz que elas são os troféus da sua vitória. Ele repete: “Tenho que ficar bem, tenho muita história, para contar ainda!”
          Com o passar do tempo, aprimorou este seu lado e passou a se dedicar ás causas, fatos e histórias do Grande Garcia, depois, de toda cidade, passando a ser uma referencia para muitos estudos e teses.
          Tem sob sua guarda um farto registro, tanto escrito como físico, de muitas passagens, principalmente do grande Garcia, do Amazonas Esporte Clube, clube que ele e milhares de pessoas admiraram e curtiram. Foi um dos articuladores que foi ouvido pelo Prefeito Napoleão e Ricardo Stodieck, Presidente da Vila Germânica, que não deveria ser vendido o Morro do Aipim – e Restaurante Frohsin. Justificativa que este local seria o verdadeiro e único local doado pela família de Dr. Blumenau, em 1909,e, portanto, o principal local histórico de nossa cidade.
          Seu trabalho poderá ser mais bem visualizado no seu blog: www.adalbertoday.blogspot.com
          Todos em Blumenau e região deveriam acessar este link sobre Verdades e Mitos de Blumenau:
          Hoje, aposentado, é palestrante sobre a História de Blumenau e, em especial do Grande Garcia, em Universidades, entidades de ensino em geral, 23BI, turismo, empresas. A própria empresa que o demitiu, o contratou para palestras, mostras e outros, mostrando o reconhecimento do trabalho que desenvolvia.
          Trabalha em pesquisas, dá entrevistas em rádios, TVs, participa de trabalhos desde graduação até doutorado/mestrado, escreve para diversos livros e revistas, e jornais. Já participou de vários vídeos, seriados e outros.
          Para contato: familiaday@terra.com,br  

terça-feira, 30 de maio de 2017

- Como era o antigo “Bier Garden”

Como era o antigo “Bier Garden” da Praça Hercílio Luz
Entrevista realizada com o Sr. Leopold Neitzel
Por Sueli Maria V. Petry/diretora do Arquivo Histórico de Blumenau.
Natural da região de Fidélis, Blumenau, Leopold Neitzel nasceu no dia 12 de outubro de 1898.  Seus estudos foram realizados na Escola Particular Alemã de Fidelis. Foi aluno do Prof. Hermann Lang. Casou aos 36 anos com Ella Weise. Deste consórcio tiveram uma filha.
          Alfaiate de profissão, foi aprendiz de Leopold Laux o qual mantinha uma alfaiataria muito conceituada na Rua XV de Novembro. Aos 20 anos transferiu-se para Joinville, onde conseguiu emprego na Alfaiataria Torrens. Lembra Leopold Neitzel que naquela época, viajar era uma verdadeira odisseia, impossibilitado de pagar um carro de aluguel (táxi) que o levasse até Jaraguá do Sul, para pegar o trem que o conduziria a Joinville, fez que o trajeto a pé. Após permanecer por um período de 7 anos naquela cidade, retornou a Blumenau onde passou a exercer sua profissão com segurança. Abriu uma alfaiataria na esquina da Rua das Palmeiras, frente á antiga Ferraria Kielwagen. Sua especialidade na confecção de roupas para pessoas obesas garantiu-lhe uma clientela seleta. Durante dois anos trabalhou com 4 funcionários. O surgimento das confecções industrializadas enfraqueceu o seu oficio a tal ponto que se viu forçado a vender o empreendimento. Retornou a Joinville em busca de novo emprego. Nesta época eclodia a Revolução de 30. Este fato impediu-o de trabalhar e viajar a São Bento do Sul, ode tinha emprego garantido. Sem dinheiro, voltou para Blumenau. Recomeçou sua vida trabalhando no ramo da alfaiataria.
          Nas horas vagas trabalhou nas mais diversas profissões. Nos anos 38 a 40, trabalhou de garçom atendendo um convite que lhe havia feito o jardineiro responsável da Praça Hercílio Luz, Sr Fabian. Este jardineiro explorava os serviços de bar do pavilhão na lateral daquela praça, aproximadamente uns dois metros atrás, onde hoje está edificado o Monumento dos Voluntários da Pátria. Lembra o Sr. Leopold Neitzel que o pavilhão era muito frequentado pelos colonos que vinham do interior do município para vender seus produtos como ovos, manteiga, aipim, batata, melado, enfim, produtos que hoje encontramos nas feiras, mas naquela época eram vendidos de porta em porta, ou ainda por pessoas que vinham à Prefeitura  pagar seus impostos e resolver seus problemas.
          O pavilhão, segundo o Sr. Neitzel, tinha o formato redondo, aberto no andar superior e no inferior era utilizado para os serviços de bar. Neste bar servia-se café, doces, gasosa e outros. Lembra com saudosismo as marcas mais procuradas que eram as bebidas de Louis Probst a cerveja nacional de Otto J. Jensen , Hosang , E.G.Herrmann. No bar jogava-se baralho, fazia-se cervejadas entre amigos que ficavam muitas vezes, até altas horas da madrugada se confraternizando.
          A parte superior do pavilhão era destinada a apresentação de retretas que alegravam o ambiente nos dias de festas cívicas e concertos públicos. Em outros momentos esta área era utilizada pelos frequentadores do bar que subiam ao pavimento superior para apreciar o movimento e tomar a sua cervejinha. Lembra o Sr. Leopold, que a praça era bem conservada. Os trabalhos de limpeza ficava a cargo de um funcionário da Prefeitura que fora especialmente contratado para cuidar da ordem e limpeza da praça, diariamente. A praça era linda, com muitas árvores e canteiros que embelezavam o ambiente. Havia muito movimento, pois tudo se concentrava naquele local. Nos fundos, havia o Porto Fluvial, onde atracavam muitas lanchas que traziam mercadorias do Porto de Itajaí para Blumenau. O  Vapor Blumenau e o rebocador Santa Catarina eram os maiores. Estes além do constante transporte de mercadorias levavam e traziam passageiros. Destes, muitos faziam a sua parada obrigatória no pavilhão para tomar o seu café ou aguardar o vapor.
          Construído nos idos de 1919, na gestão do governo de Paulo Zimmermann, conforme a resolução 121 de 16 de abril daquele ano. O pavilhão conforme nos disse a filha do Sr. Mathias Fabian de acordo com a fotografia que lhe mostramos já era uma segunda construção. A primeira era mais simples e não havia a parte superior. Após a ampliação feita no governo de Paulo Zimmermann este passou a ser explorado pelo Sr. Fabian que fez um contrato com a Prefeitura. Foi também o mesmo projetista da disposição do jardim. Era formado em jardinagem na Alemanha e em nossa cidade responsável pelos trabalhos de embelezamento de vários jardins de residências dos grandes empresários. Lembra a filha que seu pai introduziu muitas árvores na praça. Discorda muito da nova dinâmica que se tem dado a mesma. O desativamento do Pavilhão ocorreu por volta de 1940 na gestão do Prefeito José Ferreira da Silva que não renovou o contrato.
Revista Blumenau em Cadernos; Tomo XXVIII; Fevereiro de 1987, nº 2 – Fundação Cultural de Blumenau. Arquivo HJFS.
Para saber mais acesse:

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